“Por causa da indiferença, alguns morrem antes de realmente morrer”.
“Em qualquer sociedade, aquele que odeia não odeia só a mim – ele odeia você também. Ele acabará por odiar a todos.”

Elie Wiesel z”l

 

luta

Já se vão décadas desde que algum Primeiro Ministro de Israel visitou a África. E agora, Julho de 2016, Biniamin (Bibi) Netaniahu é recebido por líderes de sete países numa reunião de cúpula da maior importância para a África e, sem dúvida, para Israel. A data é significativa: 40 anos após a heróica operação Entebe, onde Israelenses e demais Judeus foram libertados em sequência a um sequestro que durou 7 dias. Infelizmente o idealizador e comandante da operação foi o único morto entre os 104 militares Israelenses. Seu nome: Yonatan Netaniahu, irmão do Primeiro Ministro Biniamin Netaniahu. Bibi prestou homenagem às vítimas Ugandenses e Israelenses junto ao Presidente Ugandês.

O estreitamento de relações vem após a África se tornar uma região vítima de movimentos terroristas radicais e assassinos tais como Boko Haram, Al Qaeda in the Maghreb, Al Nusrah e Al Shabaab. Esta reaproximação trará benefícios econômicos, médicos, sociais e militares para a África e – em contrapartida – benefícios políticos e estratégicos para Israel. Mas o motivo deste artigo é o dolorido e angustiante paralelo entre a Europa de 1944, o Kenia de 1994 e o mundo de hoje.

O Judeu sofreu perseguições, expulsões, conversões forçadas e confiscos ao longo de toda sua história. O Africano sofreu perseguições, aprisionamentos, escravização, transporte forçado também por muito tempo. Na Segunda Grande Guerra o povo Judeu sofreu a tentativa de extermínio total, por parte dos Exércitos Nazistas e seus aliados. A matança indiscriminada levou a vida de 6.000.000 de Judeus, 1/3 da população judaica da época. Ninguém ignora estes fatos, apesar de revisionistas mal intencionados tentarem negar esta página negra da história.

A África também sofreu. Em Ruanda, 1994, os Hutus decidiram eliminar os Tutsis – duas maiores etnias daquele país. Assim como o genocídio Judaico, houve extermínio cuidadosamente planejado e executado, deflagrado em Abril de 1994. Ao longo de 100 dias os Hutus massacraram 800.000 Tutsis e um numero não desprezivel de Hutus moderados. 20% da população Ruandesa exterminada em 100 dias! 70% dos Tutsis perderam suas vidas. E quem são estes Tutsis?

De acordo com a tradição Tutsi, são descendentes das relações entre o Rei Salomão e uma princesa Africana que formaram o Reino de Kush, na atual Etiópia. Consideram-se Hebreus – alguns deles exigem serem considerados Judeus de nascença e não por conversão! Em 1270, com a chegada de invasores Católicos a Kush e a consequente tentativa de conversão forçada, eles se deslocam para o que hoje é Ruanda e Burundi. O conflito com os Hutus tem dupla origem – religiosa, uma vez que os Hutus são cristãos – e econômica – o país é paupérrimo, dependente do café em mãos dos Hutus. A trágica matança dos Tutsis e a pacificação que o país viveu no século XXI aproximaram Ruanda e Israel.

Quando Ruanda decidiu erguer um memorial às vítimas Tutsis, recorreram ao Yad Vashem – museu em memória das vítimas do Holocausto Judaico. Foi Israel quem ajudou a criar o movimento pelo futuro de Ruanda – uma instituição que educa para não esquecer o passado porém viver para o futuro – educação progresso, integração, evolução. Não permitir que as feridas do passado transformem os Ruandeses em vítimas, apáticas ao futuro, mas em engenheiros de seu destino.

A cooperação e a implementação da visão Israelense de nunca esquecer o passado – mas sempre buscar um novo futuro – levou a um imenso desenvolvimento para a pobre Ruanda. A partir desta colaboração Kigali começou a se transformar – de uma cidade empoeirada para ruas asfaltadas e arborizadas. Há cerca de 20 anos, Ruanda passou a se definir como “A Israel do Continente Africano” – um pequeno país, sem recursos naturais mas marchando à frente. Ruanda e Israel – vítimas de ódio e matança – não se rendem e vão em frente. Criando, educando!

Mas qual é o terceiro componente do artigo, mencionado no segundo parágrafo? É o mundo atual!

Vivemos uma nova era de matanças indiscriminadas. Atentados terroristas na Chechênia e na Índia, na Espanha e Nova York, na Bélgica e Iraque, em Israel e na França, na Argentina e na … se eu continuar com nomes, não acabo o artigo! O que estas matanças têm a ver com Holocausto e com Ruanda? Vejo exatamente o mesmo fenômeno: a morte de inocentes, de pessoas que NADA têm a ver com atos de outrém. Se os números do Global Watch on Terror estiverem certos, cerca de 30000 pessoas são vítimas FATAIS de terror a cada ano. Ou quase 110.000 neste século! Infelizmente a esmagadora maioria perpetrado em nome do Islam – ódio ao próximo por ser diferente, por não comungar da mesma fé – ou então, por exercer a mesma fé de “forma errada”- Sunitas, Xiítas, Wahabitas, Yazidis, Curdos – cada qual acusando o outro de distorcer o “verdadeiro” Islam!

O medo impera em todo lugar. Cada grande evento musical ou esportivo mobiliza milhares de policiais, satélites de controle, operação de inteligência. Nada a ver com os músicos ou esportistas, nada a ver com os fãs ou torcedores – apenas o medo do terror indiscriminado que pode atacar a qualquer momento, em qualquer lugar. O mesmo ocorre em aeroportos, nos acessos aos navios de cruzeiro, nas comemorações populares. O mundo está se rendendo às matanças.

Alguns governos condenam os atentados de que são vítimas, chamando-os de “terrorismo”. Ao mesmo tempo, abrigam em seu território filiais reconhecidas de grupos “de libertação” – eufemismo para terroristas de causas à qual nutrem simpatia. Assim, o Hamás tem imensa delegação na Turquia que condena o terrorismo – se vier do PKK ou do ISIS. Idem Sudão, Iran, Síria. O primeiro ministro da Suécia não considera ataques a faca contra cidadãos de Israel como terrorismo. Países ocidentais têm fornecido recursos para governos claramente apoiadores de grupos de “libertação nacional” que não hesitam em matar civís.

Estou convencido que temos só dois caminhos: condenar e frear toda e qualquer forma de terrorismo ou nos tornarmos todos unidos pela matança…

Nota: Promessa cumprida. Artigo mais curto!

Até a próxima!

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