Dentro do conceito de que a revitalização econômica é uma etapa necessária no esforço de recuperar e revitalizar núcleos urbanos históricos e outros elementos constitutivos do acervo cultural brasileiro, o MinC e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no âmbito do Programa Monumenta, com a parceria do MTur, lançaram o Circuito de Pousadas Históricas do Brasil. Os prédios históricos têm, por si só, um significativo valor turístico e, portanto, sua transformação em pousada não apenas lhes confere uma utilização econômica que viabiliza, ao longo do tempo, a sua conservação, mas também permite um uso bastante eficiente. Vale notar, entretanto, que a adaptação desses imóveis para fins hoteleiros exige a instalação de uma série de complementos que originalmente não faziam parte da sua configuração original, tais como recepções, áreas de serviço, banheiros em cada unidade de habitação, piscinas, estacionamento etc. Essa modernização, em alguns casos, está longe de ser simples ou barata.

Além disso, em vários casos implica alterações importantes em um ou outro ambiente do imóvel que está sendo objeto da intervenção. Os campos de Preservação de Monumentos Históricos e da Sustentabilidade na Construção Civil, apesar de distintos, apresentam certo grau de complementariedade. São áreas que dependem de processos eminentemente coletivos para seu avanço e que se consagram como tradições culturais importantes no enfrentamento da deterioração dos espaços urbanos contemporâneos. Entretanto, o debate sobre o projeto arquitetônico como instrumento de valorização cultural e requalificação ainda é incipiente. Como analisar as intervenções atuais em edifícios degradados? Qual a relevância da Teoria da Sustentabilidade na construção no ideário cultural? Como reintegrar imóveis disfuncionais às dinâmicas urbanas? São questões complexas que merecem atenção. O primeiro valor é denominado cultural, ou seja, tem suas definições atribuídas às pesquisas históricas e estéticas e atribui aos bens imóveis valores de interesse comuns a toda a sociedade. O segundo, por outro lado, recebe o nome de valor autoral e volta-se ao reconhecimento das escolhas projetuais contemporâneas, do arquiteto responsável pela proposta, e que estão presentes no partido arquitetônico das restaurações. Do nosso ponto de vista, essa metodologia oferece possibilidades de aprendizado técnico e ético nesse debate particular, em que acreditamos ser desejável a aproximação entre as tendências de Preservação e Sustentabilidade nos projetos de arquitetura.

O Circuito de Pousadas Históricas no Brasil inspirou-se nos exemplos bem-sucedidos dos Paradores de España (criados em 1928 como suporte à Exposição Ibero-Americana de Sevilha de 1929) e das Pousadas de Portugal (criadas em 1942 e privatizadas em 2003, hoje sob a administração do grupo hoteleiro Pestana). Nesses países, foi montada uma estrutura de hotelaria, gastronomia e lazer utilizando construções de valor histórico, como palácios, castelos, conventos, mosteiros, fortes etc., o que viabilizou o seu aproveitamento econômico e a sua conservação. Observe-se que, em muitos casos, essas construções estavam em situação de completo abandono. Portanto, a sua transformação em unidade hoteleira serviu não apenas para viabilizar economicamente o empreendimento, mas, em uma perspectiva mais ampla, também evitou que um rico patrimônio histórico e arquitetônico fosse perdido. Mais recentemente, desenvolveu-se, em Portugal, o conceito de turismo de habitação, que culminou com a implantação do Programa Solares de Portugal. Trata-se de uma modalidade diferente de hotelaria, baseada na utilização de propriedades particulares rurais, muitas datadas dos séculos XVII e XVIII, e que privilegia o contato pessoal com as famílias ali residentes.

O turismo de habitação foi um importante mecanismo de restauração desses imóveis, já que boa parte deles também estava em péssimo estado de conservação, viabilizando, a partir daí, a sua utilização econômica e, consequentemente, a sua manutenção e preservação. No Brasil, a ideia do turismo de habitação é particularmente importante na restauração, conservação, revitalização e viabilização econômica das fazendas antigas, principalmente aquelas ligadas ao chamado Ciclo do Café. Algumas iniciativas têm sido implantadas nos últimos anos, com destaque para a rede denominada Fazendas do Brasil, ligada aos Solares de Portugal. Também existem outros programas organizados de turismo rural no Vale do Paraíba, em Minas Gerais e no Ceará. Vale notar que a experiência ibérica de utilização de prédios históricos com finalidade hoteleira está fortemente ligada ao conceito de turismo cultural, que representa apenas uma parcela secundária no conjunto de deslocamentos turísticos, nos quais o turismo de lazer é nitidamente majoritário.

O conceito de turismo cultural incorpora, atualmente, não apenas as tradicionais visitas à museus, casas de espetáculos e outros locais fortemente ligados ao aprendizado em si, mas também abrange uma série de outros campos da atividade humana normalmente não associados à cultura, como gastronomia, artesanato e outros elementos da tradição cultural local. Assim, de uma forma que usualmente não ocorre no chamado turismo de massa, houve então a oportunidade de desenvolvimento de toda uma gama de serviços turísticos diferenciados, voltados para um público com exigências específicas e que, por sua vez, também ofereciam um canal alternativo, embora de qualidade, à rede hoteleira tradicional, cada vez mais impessoal e padronizada. O Circuito de Pousadas Históricas no Brasil está na fase inicial de levantamento de dados sobre o potencial do país. Nessa etapa, alguns imóveis tombados pelo Patrimônio Histórico já foram selecionados, destacando-se 35 conventos, 47 fortes e outras edificações, para verificação do estado de conservação e da possibilidade de uso para hospedagem. Cabe destacar que, desses imóveis, 51,2% estão no Nordeste, 29,3% no Sudeste e 11% no Sul. São poucas as experiências brasileiras de aproveitamento de imóveis históricos para uso hoteleiro, cabendo destacar o Convento do Carmo, na cidade histórica de Cachoeira (Bahia). O imóvel, do século XVII, foi restaurado para a instalação da Pousada do Convento, operada por empresários locais, e a igreja anexa, desativada, foi transformada em centro de convenções. Em Salvador, no conjunto arquitetônico do Pelourinho, estão em fase de conclusão as obras de restauração do Convento do Carmo, que deverá se transformar em empreendimento hoteleiro de luxo, a ser operada pelo grupo português Pestana.

CONCLUSÃO: Cenário econômico adverso estimula projetos racionais e sustentáveis. As mudanças nos desenhos dos quartos de hotéis estão acontecendo de forma perceptível no mercado brasileiro porque o país ainda está passando pela onda de renovação do parque hoteleiro que foi iniciada em 2008, logo após o Brasil ser anunciado como Cidade sede da Copa do Mundo 2014 e das Olimpíadas de 2016. Sempre as mais recentes invenções surgem nos Grand hotéis. Hoje é TV 4D, iPads como controles de todas as funções possíveis de um quartos, tablets e televisões ocultos em espelhos. Ao redor do final do século existiam outros desafios: casa de banho privada – modernas instalações de água foram instaladas em quartos individuais, já que apenas um banheiro servia todo o corredor até então. Se verificarmos a história da primeira (e maiores) consumidores de eletricidade, o grand hotéis de uma cidade foram sempre entre os primeiros na lista. Se verificarmos a história dos primeiros (e maiores) consumidores de eletricidade, os grand hotéis de uma cidade foram sempre entre os primeiros na lista. O mesmo é válido para os números de telefone. Correios, governo e outros oficiais e os serviços locais de grand hotéis foram os primeiros a receber uma linha. As autarquias locais e “interurbanas” (de cidade a cidade) phonecalls foram conectadas pelos operadores em todos os grandes hotéis. Primeiro eles foram direcionados para uma cabine telefônica no átrio, posteriormente houve um em cada andar e não demorou muito e cada quarto tinha o seu próprio telefone.

Foi apenas a partir do final da década de 1880 que água quente foi disponibilizada para os hóspedes. Teve um impacto grande sobre a relação entre os hóspedes e funcionários – imaginem como os cartões substituíram as chaves e modernizou tudo, reduzindo o contato dos hospedes com os funcionários. Não há mais visitas ao concierge do Hotel para deixar ou pegar a sua chave, nenhuma interação entre as pessoas. A introdução de água quente representou uma das primeiras “perdas de contato’ com o manobrista. O ritual da manhã de um ajudante conversando com você enquanto despejava água quente em sua banheira, virou historia! Oscar Wilde ridicularizou a gestão do Savoy London por instalar os tubos de água quente na casa de banho: ‘Que um disparate!” Ele criticou. “Se eu quiser água quente, chamarei por ti.” – disse Wilde ao Gerente.

No Cairo, o antigo Savoy no coração da cidade, totalmente vazio e virtualmente inútil, tornou-se um objeto de especulações. No Líbano, o Saint Georges em Beirute é uma ruína após décadas de guerra civil. The Phoenician continua de pé em uma aparentemente interminável guerra civil. No interior da Alemanha, o mais antigo grand hotel, o Breidenbacher Hof (1822) foi leiloado na Sotheby’s. Depois de muitos anos após o encerramento de suas atividades, o hotel reabriu as suas portas em 2008, adicionando seu nome à lista dos grand hotéis que celebram seu glorioso retorno. O Grand Hotel em Viena, o primeiro grand hotel no continente, foi transformado em um prédio de escritórios após a guerra, apenas para ser reaberto como um renovado hotel novamente em 1994. O Grand Hotel Royal em Budapeste foi fechado para uma década antes do Corinthia Group, de Malta, chegar e dar-lhe um novo sopro de vida em 2002. O Adlon Hotel, um dos endereços verdadeiramente lendários de Berlim teve que esperar meio século para ser reconstruído, depois de bombardeado e destruído em 1945. Ele foi reaberto pelo Kempinski Group, que permitiu chamar a si próprios como “Hoteleiros desde 1907”; mas na verdade a primeira inauguração do “Kempinski” foi em 1952, o Bristol em Berlim. Na primavera de 2005, o The Plaza de frente para o Central Park em Nova York estava prestes a ser convertido em um conjunto de apartamentos funcionais-shopping-complexo de escritórios, perante um mundo de grande tumulto, apoiado por 600 funcionários, e o Prefeito de Nova York obrigou o plano a ser abortado. Na Flórida, o lendário Biltmore Preservation Board está lutando por muitos anos para salvar o Belleview Biltmore Hotel, esta entre os onze sítios históricos da Florida.

O futuro é claro. Nós vamos sempre requer possível e sensato máximo de luxo durante a viagem, caso contrário, poderíamos muito bem ficar em casa. Hoteleiros que não devem esquecer que a maioria dos viajantes está abrindo mão do conforto de suas casas para uma jornada de uma viagem. Esta consideração preserva o futuro dos Grand Hotels. Luxo e Grandeza são, afinal, um dos sete pecados, com o lúdico desejo de ocasionalmente mudar sua aparência e atmosfera. Vamos ver quem é o talentoso hotelier que é capaz de revelar a sua nova face. Mas entre a assinatura dos projetos e a construção e inauguração de vários desses empreendimentos, a recessão econômica pegou essa indústria no contrapé. Tanto é que em 2015, pela primeira vez em dez anos, a hotelaria nacional fechou um ano com indicadores operacionais em retração. A taxa média de ocupação dos quartos caiu de 66,65%, para 61,56%. Para 2016 projeta-se alguma recuperação, mas em percentuais apenas marginais – no caso da taxa de ocupação, um avanço de apenas 2% e, no Revpar, de 6,6%. Apesar de adverso, esse ambiente acabou estimulando os projetos mais racionais e eficientes.

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