ameoproximo
Ame ao próximo como a si mesmo (Veahavtá Lereachá Camocha) é o maior mandamento da Torah. Mas este é um mandamento que deixa um grande questionamento: como nos amamos? Quando não nos sentimos como os outros, quando achamos que essa nossa condição que nos diferencia também nos afasta, e talvez até previna o outro de receber nosso amor?

Há certas dimensões básicas da nossa personalidade que nos define mais que outras. Sexo, sexualidade, religião, ocupação estão no centro da nossa identidade. Nos amar depende principalmente de termos harmonia entre essas dimensões dentro de nós. E para a maioria de nós, também somos torturados pela aceitação ou rejeição do outro ao pacote que tanto suamos para embrulhar de presente para o mundo. Me, myself and I.

Pode ser que aceitamos cada uma de nossas escolhas, mas pela definição que temos de cada uma separadamente, achemos que algumas delas não se aceitam entre si. Pode ser que amemos algumas dimensões, e nos sentimos vítimas impotentes de outras que consideramos que foram escolhas que se sobrepuseram à nossa vontade. Pode ser que nos amamos e assim também amamos aos outros, mas eles não amem e não aceitem algumas de nossas escolhas, e rejeitem parte de nós ou até o todo e nos rejeitamos um pouco pelo efeito que provocamos no outro.

No doutorado em Estratégia de Empresas que fiz por 4 anos na França (que abandonei sem terminar quando percebi que não aprendia a ser mais feliz através de livros acadêmicos), aprendi uma máxima da pesquisa e criação de soluções: dentro da pergunta está grande parte da resposta.

Um olhar cuidadoso sobre nós mesmos, perguntando onde nos aceitamos, onde nos boicotamos, nos rejeitamos, nos enfraquecemos, nos damos desculpas, do que nos escondemos por vezes, o quanto somos dependentes dos outros ou das circunstâncias externas, o quanto nos sentimos capazes de nos mudar e de mudar o mundo à nossa volta dará pelo menos uma direção da resposta.

A resposta à pergunta se nos amamos ou não nunca virá em um simples sim ou não. Pobre daquele que simplifica essa estrada. Quanto menos indagações, quanto menos nuances encontrar dentro de si, menos poderá entender da complexidade maravilhosa da vida, que nos ensina de mil maneiras e nos leva por infinitos caminhos de crescimento.

Criar a harmonia interna, aprender a transformar tua realidade, realizar-se na sua melhor versão é o mapa do único tesouro que vale a pena buscar uma vida inteira: paz consigo mesmo. Só se estiver nessa busca de verdade a ordem divina de amar o outro como a ti mesmo realmente poderá fazer algum sentido.

http://portaljudaico.com.br/vendoo/uploads/2017/01/ameoproximo.jpghttp://portaljudaico.com.br/vendoo/uploads/2017/01/ameoproximo-150x150.jpgNaomi YamaguchiEXPERTSFELICIDADE SE APRENDEAme ao próximo como a si mesmo (Veahavtá Lereachá Camocha) é o maior mandamento da Torah. Mas este é um mandamento que deixa um grande questionamento: como nos amamos? Quando não nos sentimos como os outros, quando achamos que essa nossa condição que nos diferencia também nos afasta, e...Comunidade Judaica Paulistana