Julius Streicher-capa

 

Como foi possível uma população inteira, com poucas exceções, considerada culta, civilizada, moderna, acreditar, apoiar, colaborar, participar e executar as monstruosas atrocidades na Segunda Guerra Mundial?

Judeus alemães lutaram na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) defendendo o país que sempre consideraram como sendo sua pátria, e sua condição judaica como algo que não interferia em seu patriotismo. Muitos receberam medalhas por heroísmo no campo de batalha.

Mesmo com o antissemitismo sempre latente nesse país, a vida dos judeus e de muitos descendentes que mal se lembravam disso, era normal, com expoentes nas artes, nas ciências e na indústria.Julius Streicher-unif

Teria sido apenas a ação de um líder como Adolf Hitler turbinado por um ódio enlouquecedor que levou multidões a segui-lo de olhos fechados?

Seus discursos virulentos bradados por altofalantes seriam suficientes para lavagem de cérebros de uma nação inteira?

Sua retórica de “nós” contra “eles”, em que “nós” seriam os arianos, signifique isso o que for, e “eles”, os comunistas, os judeus, os capitalistas, surtiria sozinho o efeito devastador nas mentes dos alemães?

Sem dúvida foi o principal fator desumanizador. Mas surgiram, como ratazanas saídas do esgoto, apoiadores e “animadores” da onda devastadora que levou o país a cometer as monstruosidades do Holocausto.

Entre esses, uma das figuras mais tenebrosas foi Julius Streicher.

Streicher, um professor aposentado se destacou durante a Primeira Guerra Mundial por seus serviços no exército alemão; chegou a ser condecorado em varias ocasiões.

Julius Streicher-composiçãoAcabou angariando muitos apoiadores às suas idéias radicais. Em 1922, Streicher e muitos de seus seguidores, também destacados ultradireitistas, se filiaram ao Partido Nazista alemão.

A partir desse momento, Streicher começou a se relacionar com a cúpula nazista e acabou participando do fracassado Putsch (tentativa de golpe contra o governo) de Munique em 1923 junto com Hitler.

Streicher e Hitler passaram a manter um estreito relacionamento desde então.

Streicher já há 25 anos se dedicava a propaganda antissemita através de seu jornal pornográfico Der Sturmer, onde incitava as massas ao ódio, à perseguição e ao extermínio da comunidade judaica.

Quando em 1933 o Partido Nazista chegou ao poder, Streicher pode começar a extravasar todo seu ódio em ações concretas contra os judeus.

Nomeado diretor de um comitê oficial para ações antissemitas, a começar por boicote contra atividades judaicas, convenceu as autoridades à aprovação de um decreto Julius Streicher+hitler+goeringantissemita em 1º de abril de 1933.

A exaltação do ódio extravasou com a famigerada noite dos cristais em 9 de novembro de 1938, assim chamada pela grande quantidade de vidros quebrados das vitrines de lojas judaicas pilhadas espalhadas pelas calçadas.

Consultórios de profissionais liberais judeus tinham placas afixadas proibindo o atendimento por alemães.

Streicher auto-assumiu o título de Caçador Número Um de Judeus da Alemanha Nazista.

Foi o instigador e coautor das Leis de Nuremberg que tiraram todos os direitos civis dos judeus, e em 1938, um ano antes de começar a segunda guerra mundial, em um artigo aparecido em seu Julius Streicher-faixasjornal com o título de Guerra contra o Inimigo Mundial, clamava a favor do extermínio da comunidade judaica.

No mesmo ano anunciou o plano de destruir as sinagogas judaicas num encontro com a imprensa de Nuremberg, e declarou que ele em pessoa seria quem colocaria em marcha a grua que derrubaria todos os símbolos judaicos.

Mas em novembro de 1938 foram descobertas irregularidades na zona de Francônia, onde Streicher fora nomeado Gauleiter (líder de um distrito nazista, uma espécie de prefeito imposto).

As recentes leis nazistas obrigavam a tomada das propriedades judaicas que deveriam ser transferidas às arcas do Estado.

Na Francônia soube-se que muitas das propriedades tomadas aos judeus não foram parar na fazenda pública.

Julius Streicher-kristallnacht2Foi criada uma comissão de investigação que concluiu pela culpabilidade de Streicher que acabou demitido do cargo de Gauleiter.

Mas isso não abalou a associação que tinha com Hitler, amigo de primeira hora, nem suas atividades antissemitas.

Finalmente, em 1º de setembro de 1939, a Alemanha invadiu a Polônia iniciando a Segunda Guerra Mundial. O que se seguiu em destruição e morte já é sobejamente conhecido.

Ao finalizar a guerra, Streicher tentou escapar das forças aliadas sob uma identidade falsa, mas foi reconhecido e Julius Streicher - sinagogaaprisionado por soldados norte americanos em 23 de maio de 1945.

Se tivesse conseguido escapar talvez se tornasse um cidadão respeitável na Argentina ou no Brasil.

Julgado pelo Tribunal de Nuremberg, artigos de seu periódico foram apresentados como prova da acusação por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

A sentença enfatizou que seu maior crime foi tornar possível todos aqueles crimes de guerra que não ocorreriam sem o envenenamento das mentes que Streicher levou a cabo.

Foi declarado culpado e condenado a morrer na forca. A sentença se cumpriu em 1946.

-oOo-

É extraordinário (e assustador) como o neonazismo ainda rasteja por aí após tudo isso.

Quem quiser poderá encontrar na Internet um link de um portal (entre outros) onde um simpatizante nazista protesta contra a punição de Streicher.

E não é um ‘careca’ alemão qualquer. O site chama-se http://inacreditavel.com.br/wp/ cuja sede é, ou era, em Campinas, SP.

O proprietário é um brasileiro. Um nazista tupiniquim chamado Marcelo Franchi.  Ele mesmo confessa ter morado quatro anos na Alemanha onde se “inspirou”, ou se financiou, para montar o site no Brasil.

Veja um dos artigos dele em defesa de Julius Streicher (outros são abertamente antissemitas, o que mencionarei em próxima publicação):

http://inacreditavel.com.br/wp/o-martirio-de-julius-streicher/

“O Martírio de Julius Streicher”

“Dentre os homens que foram linchados na farsa pseudo-jurídica de Nuremberg, o caso de um em particular se destaca: Julius Streicher.

 Ele foi levado ao cadafalso sem ter tido participação alguma nos eventos da Segunda Guerra Mundial ou atividade militar de qualquer espécie. Qual, então, foi seu crime? Simples. Publicar um jornal.”

Pode?!

https://portaljudaico.com.br/vendoo/uploads/2016/11/Julius-Streicher-capa.jpghttps://portaljudaico.com.br/vendoo/uploads/2016/11/Julius-Streicher-capa-150x150.jpgMoisés SpiguelHISTÓRIAS DO HOLOCAUSTOAlemanha,Nazistas,neonazistas,Nuremberg  Como foi possível uma população inteira, com poucas exceções, considerada culta, civilizada, moderna, acreditar, apoiar, colaborar, participar e executar as monstruosas atrocidades na Segunda Guerra Mundial? Judeus alemães lutaram na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) defendendo o país que sempre consideraram como sendo sua pátria, e sua condição judaica como algo que...Comunidade Judaica Paulistana