NAZISTAS-CAPA-2

 

Governo brasileiro acobertou nazistas para evitar julgamento de crimes da ditadura.

NAZISTAS-3Na Segunda Guerra Mundial, criminosos nazistas foram se esconder na América do Sul (ver Operação Odessa neste portaljudaico.com.br).

Um novo estudo revela como uma “coalizão relutante” dos dois lados do Atlântico conseguiu por décadas atrapalhar os esforços para caçar e levar à justiça esses criminosos.

Como tantos criminosos conseguiram sair sem punição, apesar de serem claramente culpados?

Foi preciso apenas um número trocado -1974 em vez de 1947 – para Gustav Wagner, condenado à morte in absentia no Tribunal de Nuremberg ter permissão para permanecer com residência permanente no Brasil.

Foi um mero lapso do homem que traduziu o documento do alemão para o português que levou a Suprema Corte do Brasil a negar os pedidos da Áustria, Israel, Polônia e  Alemanha Ocidental para extraditar o antigo oficial da SS em 1979.

E ainda assim, Wagner era acusado de cumplicidade no assassinato de 152 mil judeus no campo de extermínio Sobibor, na Polônia ocupada pelos alemães.

Josef Mengele, o notório médico do campo de concentração de Auschwitz, também se beneficiou de erros e atrasos porque NAZISTAS-JORNAL-2os policiais franceses da Interpol se negaram a conduzir buscas internacionais de criminosos de guerra nazistas.

Já no caso do coronel da SS Walther Rauff, que ajudou a desenvolver as câmaras de gás portáteis usadas para matar judeus, foi um membro do Ministério de Relações Exteriores da Alemanha que sabotou o pedido de extradição de seu próprio governo ao Chile por 14 meses.

Como resultado dessas falhas, esses três supercriminosos nazistas nunca foram julgados pelas cortes alemãs depois da guerra.

Wagner, a “Besta de Sobibor”, cometeu suicídio em 1980 em São Paulo, Mengele afogou-se no Brasil e Rauff morreu de ataque cardíaco no Chile.

Das centenas de oficiais nazistas e assassinos em massa que fugiram para a América do Sul após a rendição da Alemanha nazista, apenas meia dúzia deles foram julgados.

O historiador Daniel Stahl conduziu uma pesquisa nos arquivos europeus e sul-americanos para escrever seu livro, chamado Nazi Hunt: South America’s Dictatorships and the Avenging of Nazi Crimes (em tradução livre: “Caça aos nazistas: as ditaduras sul-americanas e a compensação pelos crimes de guerra”) publicado em 2013.

O trabalho oferece uma resposta certeira e terrível ao que há muito se suspeita: que havia uma ampla coalizão de pessoas – nos diferentes continentes, na justiça, nos corpos policiais e governos- que não se dispunham a agir ou até prejudicavam a perseguição dos criminosos nazistas por décadas.

Os ditadores da América do Sul se recusavam a extraditar antigos nazistas por preocupação que os julgamentos de criminosos de guerra pudesse chamar atenção internacional aos crimes que seus próprios governos estavam cometendo na época.

NAZISTAS-2Walther Rauff, por exemplo, viajou entre a América do Sul e Alemanha depois da guerra como representante de várias empresas e nunca encontrou dificuldades, porque seu nome não aparecia em nenhuma das listas de criminosos procurados.

Apenas em 1961, os promotores públicos da cidade de Hanover, no norte da Alemanha, emitiram um mandado para a prisão de Rauff por quase 100 mil acusações de assassinato.

Em outros casos, uma falta de cooperação da Interpol prejudicou a busca de nazistas. Em maio de 1962, o Congresso Judeu Mundial tinha pedido à Interpol que participasse da busca mundial por criminosos nazistas.

NAZISTAS-MENGELE-2O então secretário-geral da Interpol, Marcel Sicot, respondeu com revolta. “Por que os criminosos de guerra devem ser julgados quando o vitorioso sempre impõe suas leis, de qualquer forma?”.

Em 1960, houve rumores que Josef Mengele, o médico do campo de concentração conhecido como “Anjo da Morte”, estava escondido no Brasil ou no Chile.

O Ministro da Justiça Alemão aconselhou o Escritório da Polícia Criminal Federal a conduzir uma caçada – mas sem envolver a Interpol. O esconderijo de Mengele nunca foi encontrado.

Stahl atribuiu o fracasso da Interpol em prender nazistas e seus colaboradores ao passado de muitos policiais franceses. “Como homens do regime de Vichy, (eles) colaboraram com os nazistas até 1944”, escreve Stahl. “Eles se opunham ao julgamento de crimes nazistas”.

Stahl também observa que um dos principais obstáculos para a caçada de criminosos nazistas de fato, era que os ditadores sul-americanos queriam cobrir seus próprios crimes.

NAZISTAS-MENGELENo caso de Cukurs, por exemplo, que vivia tranquilamente em São Paulo, Brasil, com seu nome verdadeiro (ver A execução do ‘Carniceiro de Riga’ neste portaljudaico.com.br) o conhecimento destes fatos levou o Mossad a não contar com a extradição do criminoso de guerra e resolveu executá-lo.

No dia 22 de junho de 1979, durante a ditadura brasileira, o embaixador alemão em Brasília escreveu que a extradição de alguém que tinha cometido crimes de guerra quase 40 anos antes ia “reforçar os pedidos dos que insistem que todos os crimes devem ser julgados, inclusive os cometidos pelos militares e policiais”.

Um pouco antes, o governo do então chanceler Helmut Schmidt tinha pedido a extradição de Wagner, subcomandante de Sobibor, um pedido que os juízes da Suprema Corte do Brasil durante o governo de general João Figueiredo, último presidente da ditadura militar, negaram.

Na Alemanha, uma nova geração tinha entrado na burocracia do governo – e não tinha medo de usar meios não convencionais para colocar os criminosos nazistas atrás das grades.

Em 1982, a Promotoria Pública de Munique iniciou procedimentos para pedir a extradição de Klaus Barbie, ex-diretor da Gestapo em Lyon, França, e também pediram aos aliados franceses que “eles também deveriam pedir a deportação de Barbie, especificamente da Bolívia para a França”.

No início de 1983, Barbie foi deportado para a França. O famoso “Açougueiro de Lyon” morreu em um hospital naquela cidade em 1991.

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