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Berta Loran, nascida Basza Ajs Handfuss (com agradecimentos pela lembrança de seu nome original a Paulo Valadares), ou  Berta Ais aportuguesado, em 23 de março de 1926 em Varsóvia (Polônia), filha de um alfaiate judeu que trouxe a família para o Brasil em 1937 fugindo do nazismo na Polônia, conta que quando pisou em solo brasileiro fugindo de um frio de 30 graus abaixo de zero para um calor de 40, ela teve a certeza de que o Brasil era a sua terra.

berta loran2O pai alugou um sobrado na Praça Tiradentes, centro do Rio, onde moraram seus sete filhos, a mãe e outros parentes. Ao todo eram 14 pessoas dividindo um quarto e um banheiro.

Ingressou no teatro por incentivo do pai (José Ais, ator e alfaiate).

Apresentava-se inicialmente em teatros de comunidades judaicas com uma irmã como a dupla Berta e Bela Ais. Como as duas apresentavam as peças em iídish, fizeram muito sucesso nas comunidades onde quase todos falavam a língua na década de 1940. Eu assisti várias apresentações delas na época.

Começou uma carreira solo depois que a irmã casou e se fastou das artes cênicas. Passou a adotar o nome artístico Berta Loran.

Em 1946, Berta se casou com um ator que atuava em uma companhia judaica Berta Loran em Portugalem Buenos Aires. Ela estava louca para trabalhar com o grupo e resolveu casar com ele. No entanto ele apostava todo o seu dinheiro nos cavalos, e sobrava pouco para o casal.

Com esse marido Berta morou muitos anos em Portugal, onde fez muito sucesso como atriz. Ela tinha 20 anos e ele, 51. Separaram-se em 1957.

Seu primeiro papel para grandes públicos foi interpretado em um teatro de revista em 1952, aos 26 anos, no palco do Teatro Carlos Gomes, no Rio. Estreou no cinema em 1955 berta loran5aem Sinfonia Carioca. Nos dois filmes seguintes, Papai Fanfarrão e Garotas e Samba, foi dirigida por Carlos Manga. Em 1957 apresentou-se em Portugal com a peça Fogo no Pandeiro. Acabou morando no país durante seis anos.

Ao retornar ao Brasil em 1963 apresentou-se em inúmeras peças, musicais, na televisão e no cinema. Participou do elenco fixo de Viva o Gordo com Jo Soares, programa Chico Total e a Escolinha do Professor Raimundo entre outros.

É longa a lista de peças de teatro, novelas e filmes que participou. Não caberia aqui. Berta Loran é considerada não só uma grande atriz brasileira, como uma das melhores comediantes do Brasil, tendo passado pelo teatro, aclamada na televisão e nas telas do cinema.

berta loran4Nesses 90 anos de vida, Berta ajudou os seis irmãos e os sobrinhos. Comprou apartamentos, deu televisões e descobriu como era feliz fazendo o bem. “Ser generosa é uma das coisas mais gostosas do mundo! Penso primeiro nos meus e depois cuido de mim. Da vida tirei muitas lições. Se tenho um contratempo, tomo metade de um comprimido. Adoro viver! Acho a vida linda e têm tantas coisas para viver!”

Em março de 2016, a atriz foi homenageada pelo produtor cultural João Luiz Azevedo com o livro biográfico “Berta Loran: 90 anos de humor”, documentário e exposição com fotos do acervo pessoal, objetos e recordações dos diversos trabalhos realizados por Berta no cinema, teatro e televisão. Ela merece.

Fatos, fuxicos e fofocas

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90 anos e bem cuidados

Um detalhe chama a atenção na sala de jantar de Berta para quem a visita: uma balança repousa no chão. O objeto é peça indispensável da dona da casa. É subindo na balança em dias alternados que Berta controla seu peso. “Sou a disciplina em pessoa. Peso 56 kg aos 90 anos. Quando atingi os 60 kg aos 40, cheguei a conclusão que a minha comida não prestava. Comprei um livro de macrobiótica e resolvi seguir à risca. Mas como a dieta não permite comer carne, fiquei anêmica. Hoje faço a macrobiótica do meu jeito. Como arroz, pão e macarrão integrais e também um filé mignon. Tudo grelhado. E nada de prato de operário. Coloco três colheres de feijão, duas de arroz e vamos em frente”, diz Berta, que recebe a visita de um personal trainer em sua casa duas vezes por semana, onde ele a coloca para caminhar sobre a esteira ergométrica que tem em casa.

Fala de seus casamentos com o humor que lhe é peculiar

A respeito de seu primeiro casamento, conta: “Casei com ele porque queria ir para Buenos Aires. Ele era baixinho, tudo era pequenininho! Era jogador, adorava os cavalinhos. Estudava os animais na cama e eu pedia: ‘Me estuda um pouco também…’ Mas ele ficava estudando o avô do cavalo, a tia do cavalo…”

Seu segundo marido, Julio, era um negociante. Quando ele a convidou para jantar pela segunda vez, a atriz foi direto ao ponto: “Não quero ir jantar, quero ir para um hotel. Ele ficou espantado. Expliquei que queria ver se ele servia para alguma coisa, porque meu primeiro marido não prestou para nada. E nossa noite foi maravilhosa. Só sei que no dia seguinte tomávamos café da manhã e eu disse: gostei de você! Vamos casar!”.

 

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