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Essa parte da história é bem legal, e mostra como um cachorro se dedica aos donos mais do que a gente possa perceber.

 

Observe se a cena é familiar para você: É noite, todos já estão em casa e, a certa altura, alguém está na sala, outra pessoa da família está no quarto, e por aí vai. Onde fica o cachorro? Em boa parte das casas o cachorro está em algum lugar onde, sem a gente reparar, ele consegue controlar tudo. A gente nunca pensa nisso, na verdade, mas podem reparar. Ele provavelmente estará deitado no meio do corredor, onde ele pode ver os filhos no quarto, pais na sala e por aí vai.

 

Isso é mais típico de cães pastores. Veja bem, quando falamos em pastores não são apenas os Pastores Alemães, mas sim qualquer raça da família deles, como Collie, Border Collie, Sheepdog, ou seja, cães de pastoreio em geral. Eles PRECISAM controlar a situação, e fazem isso por amor. Os outros cães fazem só por amor mesmo.

 

Só para vocês entenderem como isso é levado a sério para o cachorro, aí vai mais uma história do Bud:

 

A minha filha dormia comigo, nos acostumamos assim, ela tinha a cama dela no meu quarto. Sei que é esquisito, mas era assim. Eu sou adepta do “se está funcionando assim, pra que mudar?”

Além disso, moro com meus pais, o que me facilita muito. Posso sair com a certeza que minha filha está com as pessoas que mais se preocupam com ela, além de mim e do Silvio, o pai dela. Mas enfim, foi só para explicar o porquê dela dormir comigo.

 

Bem, quando ela estava com 6 anos – e o Bud com 1 – meus pais acharam que já era hora dela ter o quarto só dela, pois vinham muitos amiguinhos aqui em casa e ela se sentiria melhor assim. Fizemos um quarto lindinho, de mocinha e tal e, quando ficou pronto, a Tamy foi toda feliz dormir no quarto dela. E eu frustrada, achando que na última hora ela ficaria com medo e voltaria pros meus braços, o que não aconteceu. Bem, como era a primeira noite dela sozinha, deixei a porta do meu quarto aberta para caso ela sentisse vontade de ir para lá à noite.

 

Estava indo tudo muito bem, não fosse um barulhinho estranho a noite inteira. E lá pelas 4 da manhã aparece a Tamy no meu quarto dizendo que o Bud não deixava ela dormir. O barulhinho estranho nada mais era do que o Bud indo de um quarto pro outro a noite inteirinha, sem entender por que a gente havia “se separado”. A Tamy subiu na minha cama e, exausto, o Bud subiu também e dormiu profundamente. Veja bem, não é que ele apenas subiu e dormiu profundamente, ele fez algo que eu nunca tinha visto, ele pulou na minha cama e, do jeito que ele caiu lá, ficou. Coitado, nunca vi um cachorro tão cansado.

 

Não acho que seria legal se cachorro falasse, pois o mistério deles é o que mais nos fascina, o que nos faz amar como eles, incondicionalmente. Mas nessa parte da história eu queria muito saber o que se passou durante horas na cabecinha dele que, apesar de extremamente cansado, não se entregou ao sono até que estivéssemos todos juntos de novo. Imagino que na cabeça dele ele pensava algo como:

 

– Tamy, seu quarto é lá. Não deixa a mamãe dormir sozinha.

– Será que elas brigaram? Tenho que fazer elas fazerem as pazes de novo.

– Gente!!!! Matilha tem que ser unida. A gente dorme junto, come junto, faz tudo junto, por isso somos uma matilha, entenderam?

– Mãe, acorda. A Tamy adormeceu no lugar errado. Vai buscar ela.

– Ei, onde eu me encaixo? Durmo com a mamãe ou com a Tamy?

– Ai, tudo era mais fácil quando esse lugar novo da casa não existia.

 

Enfim, ele deve ter pensado muitas coisas, mas confesso que fiquei emocionada ao vê-lo pular na minha cama e cair em sono profundo assim que viu a “matilha” reunida de novo. É difícil de explicar, mas ele realmente pulou e dormiu, provando que estava exausto mesmo, mas não se entregou enquanto não nos viu juntas de novo. Foi lindo!!!

 

Ah, quase esqueço de contar como resolvemos. Expliquei a situação para todos da casa no dia seguinte e, como era sábado, todos tínhamos tempo de ajudar o Bud a se conformar com a situação. O Silvio chegou em casa, já a par do que estava acontecendo, e fomos todos pro quarto da Tamy. Brincamos por um bom tempo lá, a matilha toda, saímos para passear, voltamos pro quarto dela até o Bud ficar totalmente confortável lá dentro. Quando ele percebeu que aquele espaço era legal, e que faria parte da nossa rotina, ele relaxou. Nessa noite a Tamy dormiu no quarto dela e o Bud optou por ficar comigo no meu. E nessa época ele resolveu parar de dormir na minha cama. Ele subia, deitava um pouco e, algum tempo depois, ia para o colchonete dele. O que faz até hoje.

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