Superhero-labs
Ah, não. Nem me venha com esse papo que cachorro é tudo igual, só muda endereço, cor e tamanho. Adoro cães de personalidade, que observam e armam truques inesperados.
Como já falei antes, um lugar que eu amo estar é Águas de Lindóia. Passo normalmente o fim de ano lá, no Hotel Majestic, onde infelizmente cachorro não pode entrar, apesar de o dono adorar cães e ele mesmo ter um Labrador simpaticíssimo.
Bem, um dia fui até lá só para deixar meus pais, e levei o Bud conosco para um passeio. Como eu sabia que não é permitido cães no hotel fui levar o Bud para esticar as patas na praça em frente. Soltei a guia e deixei o Bud correr. Havia hóspedes no hotel que conheciam o Bud, lá vão muitos amigos e familiares, e vieram brincar com ele, ficamos batendo papo, fomos ficando, e o Bud amando aquela liberdade. Nessas alturas já estávamos na parte de fora do hotel, onde tem um pequeno jardim, e o Bud até dava umas entradinhas escondido.
Ah, esqueci de comentar, o Bud é um cachorro urbano, pisa na maioria do tempo no cimento, respira a poluição, então ele não pode ver um gramado que começa a correr alucinadamente. Ele realmente ama pisar na grama.
Depois de brincadeiras, corridas e água era hora de voltar para a nossa realidade. Como sempre faço chamei o Bud, pois ao comando “Carro” ele já entra no carro rapidinho. Abri a porta, fiquei lá parada e. nada, o Bud não veio. Fiquei meio preocupada porque essa cidade tem algumas matilhas, são cães de lá que não se metem com os outros, mas antes de soltar o Bud me certifiquei que nenhum cachorro estava lá perto.
Fui entrar no hotel, pois imaginei que ele tivesse entrado atrás de alguém, e eis que o encontro escondido. Ele tinha realmente se escondido, dá para entender? Até tirei foto antes de chamá-lo. Ele foi pro jardim do hotel e ficou atrás de uma moita, super encolhido entre flores e com a cabeça quase no rabo. Para se ter uma ideia, já havia passado gente por lá procurando o Bud e ele não tinha sido visto, de tão escondidinho que estava. Ele curtiu tanto o passeio que não queria ir embora. Foi tão engraçado, mas tão engraçado, que ele merecia ficar na cidade.
Uma das cadelas com mais personalidade que eu conheci foi a Gaia. Ela já tá esperando a gente do outro lado do arco-íris, mas todos que a conheceram puderam presenciar fatos inusitados. Ela era muito engraçada, pois gostava de homens em geral, mas não gostava muito de mulheres. Ela selecionava as pessoas que fariam parte da vida dela, e as outras… eram as outras. Eu tive o privilégio de ser uma das selecionadas. Quando a Gaia não gostava de uma pessoa ela deixava bem claro. Incapaz de machucar alguém ela simplesmente ignorava a pessoa. Gulosa como todo Labrador, se deixava levar por petiscos, mas nem assim a pessoa a conquistava. Ela ia, pegava o petisco e voltava.
Um cachorro de personalidade “conversa” com você, define junto para onde vão, vive a vida intensamente com o dono. É aquele cachorro que, quando você fala com ele, ele olha para você, e sabe que é com ele que estamos falando, levantando a cara e respondendo na medida do possível.
A Nikita, Labrador que mora no prédio ao lado do meu, vai pra janela bater papo com todos que passam. Ela late para nos chamar, e só sossega quando a gente responde.
O Bob, Lhasa Apso do meu prédio, ganha pão de queijo e esconde. Ninguém pode chegar perto do esconderijo, ele corre para pegar antes que vejam. E se ele ganha presente de alguém que ele gosta faz a mesma coisa, não deixa ninguém pegar.
O Bud faz o passeio da manhã depois de deixarmos a Tamy na escola, e às vezes ele decide que quer passear mais. O que ele faz? Nada, ele não faz. Não faz cocô. Ele sabe que só subo depois que ele fizer cocô, então ele fica segurando. Quando tenho tempo aceito a brincadeira, pois acho muito inteligente da parte dele. Quando não tenho tempo levo ele até a esquina e digo que vou voltar pra casa com ou sem o cocô. O malandro faz rapidinho. Teve um dia que chegamos na porta do prédio e ele não entrava de jeito nenhum, me puxava pra fora, ele estava tão estranho que resolvi dar mais uns minutos para ele, que foi fazer cocô e voltou pro prédio. Foi aí que eu descobri que o espertalhão me enrola para esticar o passeio.
Tem outro Bob no bairro, um Pastor de Shetland. Ele mora no prédio da Nikita e é super bonzinho. Mas quando ele recebe visita de fêmeas nenhum cachorro chega perto, nem o Bud. Aquele pituquinho fica tão bravo que ninguém se atreve a chegar perto. Quando ela vai embora ele volta ao normal.
E o Basquiat? Era filho da Gaia, morava junto com ela e era um grande companheiro. Poucas pessoas conseguiam passear com ele, pois se transformava num monstro quando via outros cães. Como ele me respeitava muito saía à tarde com ele. Preguiçoso como todo Labrador de mais idade deve ser, gostava de andar pouco. Adorava o passeio de carro, aí eu estacionava em alguma rua, abria a porta para ele sair e, se ele não quisesse sair do carro, se recusava a todo custo. Tinha que voltar pra direção, rodar mais um pouco até ele decidir que era hora do passeio. Aí a gente saía caminhando, e ele andava devagar ao meu lado. Quando ele queria terminar o passeio parava ao lado do meu carro e parecia uma estátua, não saía de jeito nenhum. Esse cara era uma figura. Saudade, seu tralha (apelido mais que carinhoso que dei para ele).
Você com certeza conhece um cachorro de personalidade, mas não é comum que a gente perceba. Quando você perceber algum comece a reparar mais nele. Você vai se divertir muito.

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