CAES-ADESTRADOS
Eu sempre me questionei sobre a real necessidade do comando “Alto”, era simplesmente parar, por que não mandava sentar direto?

Agora explico, por experiência própria, a necessidade. Lá estávamos nós, Bud e eu, numa bela madrugada, fazendo o exercício do “atravessa”. Nesse horário eu saio com a coleira na mão e o Bud solto.

Sempre olho pros dois lados, pois não gostaria de encontrar surpresas desagradáveis na madrugada de São Paulo. A segurança dessa cidade não é nada estimulante, muito pelo contrário. Enfim, quando olhei lá pra baixo, na esquina, vi algo muito estranho. Pareciam duas bolinhas de vidro verde. Sabe como é, né?! Nessa hora da madrugada os neurônios estavam meio lentos, demoraram para me passar a informação de que aqueles vidros não eram vidros, mas sim os dois olhos de um gatinho. O Bud percebeu bem antes que eu e, mesmo não sendo inimigo de gatos, ele gosta de mostrar que é o tal nessas horas. Foi tudo muito rápido, mas para mim demorou para passar. Do nada o Bud sai correndo alucinadamente, e eu fiz a coisa mais errada que fazemos quando o cachorro sai correndo, corri atrás dele.

Quando o cachorro corre e a gente sai correndo atrás dele, isso nada mais é que um jogo de pega-pega. Não tem nada de errado. Não adianta brigar com o animal. Ele está simplesmente brincando com você.

Mas no desespero eu não só saí correndo como berrando o nome dele. Aproveito para me desculpar com os vizinhos, pois tenho certeza que alguns acordaram naquela noite. Enfim, o gato saiu correndo, o Bud atrás dele, e eu atrás do Bud. 4 patas contra 2 pernas é muito desfavorável pro meu lado, não é? Aí lembrei que estava lidando com um cachorro extremamente obediente e gritei “ALTO!!!!” e o Bud parou. Eu parei, respirei e gritei “SENTA!!!!” e o Bud sentou. Fui andando, pois se corresse ele começaria a “brincar” de novo. Enquanto andava soltei um “FICA” bem seco. Ele ficou. Fiz muito carinho nele, coloquei a coleira e voltamos para casa.

Como assim, fez carinho nele depois dessa fuga? Explico: o Bud, mesmo em uma “caçada”, obedeceu aos três comandos que eu dei de longe. Se eu brigasse com ele naquela hora, ele não saberia que é por causa do gato, mas sim acharia que tomou bronca por ter obedecido aos comandos. O cachorro relaciona ação e reação muito rápido, então a essas alturas ele já tinha até esquecido do gato. Por isso sempre temos que lembrar que não adianta brigar com o cachorro se o que ele fez de errado já ficou no passado, mesmo que seja um passado recente, tipo 5 minutos. O cachorro vai associar a bronca ou o carinho ao último segundo.

Outra história: Quando o Bud era filhotão ele adorava crianças. Um dia estávamos voltando para casa numa rua bem arborizada, era domingo à tarde e estava tudo meio vazio, calor, rua bonita, e eu dirijo bem devagar nessas situações, curtindo a paisagem, pois não havia carros atrás de mim nem na frente. A rua era minha e do Bud, e as quatro janelas do carro estavam abertas.

Dirigindo distraidamente quando de repente ouço um grito, olho pra calçada e lá estão três crianças pequenas correndo, o Bud correndo atrás delas e as babás por último. Ainda olhei para trás porque não imaginava que o meu Bud, que há um segundo eu estava vendo pelo retrovisor, no segundo seguinte estaria na rua correndo com crianças. Larguei meu carro com a chave no contato, ligado e foi a segunda vez que o “ALTO” funcionou. Foi mais difícil fazer as crianças pararem. Enfim, as babás pegaram as crianças e, por sorte, elas gostavam de cachorro e viram que o Bud simplesmente pulou da janela pra brincar com as crianças. Aí todos ficaram um pouco com o Bud e, por muita sorte, meu carro ainda estava lá me esperando.

Ainda vou chegar lá, mas o passatempo favorito do Bud foi, durante 7 anos, pular da janela do meu carro para acompanhar minha filha na entrada da escola, brincar com a criançada, mexer com os seguranças, assustar as mães medrosas e voltar correndo pela janela. É óbvio que ele, vendo as três crianças, achava que elas estavam esperando por ele, o incrível cachorro que pula da janela. Era assim que ele era conhecido quando fazia isso na escola.

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