JUSTOS-CAPA-CHINUE SUGIHARA

No Museu do Holocausto – Yad Vashem – em Jerusalém, existe uma árvore plantada em homenagem a cada “Justo entre as Nações”, título concedido pelo governo de Israel em reconhecimento a todos os não-judeus que durante a Segunda Guerra Mundial salvaram vidas de judeus da sanha sanguinária do nazismo.

Chiune Sugihara, cônsul japonês na Lituânia durante a Segunda Guerra Mundial, é um Justo entre as Nações.

CHINUE SUGIHARA-CARTAZChiune Sugihara (1900-1986) um diplomata japonês durante a Segunda Guerra Mundial salvou a vida de milhares de judeus radicados na Polônia e na Lituânia, nordeste da Europa.

Permitiu sua saída desses países, então em ocupação pelas tropas nazistas, fornecendo-lhes milhares de vistos de trânsito para que pudessem viajar para o Japão arriscando a sua carreira e a vida de sua família.

Seu pai queria que ele seguisse a carreira de médico, mas seu sonho era estudar literatura e morar no exterior.

Sugihara foi estudar inglês na conceituada Universidade Waseda em 1918 e se formou em Literatura inglesa.

Em 1919, passou no exame para Ministério das Relações Exteriores. O Ministério de Relações Exteriores do Japão designou-o para um consulado, na China, onde também estudou os idiomas Russo e Alemão, na qual se tornou expert em assuntos da Rússia.

Em 1939, ele se tornou o vice-consul do Consulado do Japão em Kaunas, na Lituânia. Seus outros deveres eram reportar sobre o movimento das tropas russas e alemãs.

Em setembro de 1939 a Alemanha invadira a Polônia (e depois, a União Soviética ocupou a parte não ocupada do país pelas tropas de Hitler) e notícias e relatos sobre crimes horríveis dos alemães contra judeus se Chinue entrada consuladoespalhavam.

Muitos dos refugiados da Polônia conseguiram chegar ao país vizinho, a Lituânia, dominada pelos russos, mas era questão de tempo antes que as tropas alemãs chegassem ao local.

Para os refugiados a única rota de fuga era por terra através da União Soviética.

Mas os russos só permitiriam se certificassem de que os refugiados seriam recebidos por outro país, depois de cruzar a União Soviética.

Sugihara telegrafou ao Ministro do Exterior em Tóquio, explicando a situação dos judeus, para solicitar a permissão de conceder vistos de trânsito, a qual foi CHIUNE Sugihara Israel reuniãonegado três vezes.

Uma vez que os vistos japoneses eram apenas de trânsito, as pessoas deveriam ter que declarar um destino final. Curaçao, uma possessão holandesa do Caribe, foi uma sugestão.

Então Sugihara começou a emitir vistos ininterruptamente. Sugihara deixara de almoçar para emitir tantos quanto possível, trabalhando dia e noite. Quando acabaram os formulários oficiais, escreveu mais à mão.

À medida que passavam os dias, ele começou a ficar fraco, ficando com os olhos injetados, por falta de sono, dedicando-se a emitir mais vistos.

Algumas semanas depois, Sugihara recebeu telegramas do Japão ordenando-o a parar, pois grande número de refugiados poloneses chegava ao Japão nos portos de Yokohama e Kobe, provocando confusão.

Mas ele ignorou as ordens.

CHINUE SUGIHARA-CAMELOSFinalmente os soviéticos exigiram que o consulado fosse fechado. Tóquio instruiu Sugihara a se mudar para Berlim, porém mais judeus estavam chegando ao local.

Assim ele decidiu ficar mais um dia no hotel para conceder o máximo de vistos que pudesse emitir e uma multidão seguiu a família até o hotel. Chegou a emitir mais de 300 vistos num dia, quantidade que normalmente tomava um mês.

Na manhã seguinte um grupo ainda maior seguiu Sugihara e sua família à estação de trem. No trem, ele continuou a escrever freneticamente, mas não

 

CHIUNE SUGIHARA-PLACA EDITADA RAUL

conseguia dar vistos para todos.

CHIUNE SUGIHARA-ÁRVOREEntão começou a assinar seu nome em folhas em branco e carimbados, esperando que o resto pudesse ser preenchido. Ainda estava passando os papéis quando o trem partiu com destino a Berlim.

A desobediência valeu a Sugihara uma brusca interrupção de sua brilhante carreira diplomática. Há de se notar que o Japão fazia parte da aliança do Eixo com a Alemanha e a Itália em guerra contra a aliança dos Aliados que combatiam o nazismo.

Dispensado pelo governo, ele teve que se contentar com um trabalho de tradutor. Mesmo assim, jamais alardeou seu heroísmo.

Só em 1969 foi encontrado por Yehoshua Nishri, um dos judeus que ele salvou. Centenas de outros relatos logo começaram a aparecer.

Aos poucos, o Yad Vashem (Memorial do Holocausto), a instituição sediada em Israel que se dedica a manter vivas as lembranças da tragédia nazista, foi percebendo a importância de Sugihara.

Quase 50.000 pessoas incluindo os descendentes devem sua vida a ele.

Apenas em 1985, 45 anos depois de seu ato heróico, o ex-cônsul foi considerado Justo entre as Nações, a mais alta honraria concedida pelo Yad Vashem, e uma árvore foi plantada em sua homenagem em Israel.

Aos 85 anos, ele estava muito doente para receber o prêmio pessoalmente. Morreu no ano seguinte. Em sua lápide, está gravado seu primeiro nome: Chiune.

Coincidência ou não, essa palavra, em japonês, quer dizer “mil novas vidas”.

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