JUSTOS-CAPA- CORRIE TEN BOOM

 

No Museu do Holocausto – Yad Vashem – em Jerusalém, existe uma árvore plantada em homenagem a cada “Justo entre as Nações”, título concedido pelo governo de Israel em reconhecimento a todos os não-judeus que durante a Segunda Guerra Mundial salvaram vidas de judeus da sanha sanguinária do nazismo.

Cornelia Johana Arnolda Ten Boom, conhecida como Corrie Ten Boom (1892-1983) é uma Justa entre as Nações.

Corrie Ten-familia BoomCorrie e sua família ajudaram judeus a escapar dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, e pelos registros, salvaram 800 vidas.

Cornelia “Corrie” Ten Boom nasceu em Haarlem, Holanda, em 1892, e cresceu em uma família devotamente religiosa.

Os membros da família eram rigorosos calvinistas na Igreja Reformada Holandesa. A fé os inspirou a servir a sociedade, oferecendo abrigo, comida e dinheiro aos necessitados.

Após a morte de sua mãe e a decepção com um romance mal sucedido, Corrie passou a treinar o ofício de relojoaria e em 1922 tornou-se a primeira mulher licenciada como relojoeiro na Holanda.

Corrie Ten e irmãsDurante a década seguinte, além de trabalhar na loja de seu pai, ela estabeleceu um clube para meninas adolescentes, que forneceu instrução religiosa, bem como aulas nas artes de performances, costura e artesanato.

Em maio de 1940, a invasão alemã atingiu os Países Baixos.  Em poucos meses, a “nazificação” do povo holandês começou, e a vida tranquila da família Ten Boom foi mudada para sempre.

Durante a Segunda Guerra Mundial, ela e sua família passaram a liderar uma verdadeira unidade de proteção aos judeus para salvá-los de prisão pelos nazistas.

Organizaram o Grupo de Resistência BeJe, cujo nome proveio da abreviação de Bartelijorisstraat, a rua onde a família Ten Boom morava.

Casper Ten Boom, o pai de Corrie, considerava que os judeus eram de fato o “povo escolhido” e disse a todos que em sua casa “o povo de Deus era sempre bem-vindo”.

Corrie Ten-casaMesmo assumindo todos os riscos de suas próprias vidas ao serem descobertos, Corrie chegou a abrigar os perseguidos pelos nazistas, judeus, estudantes e intelectuais, na sua própria casa e na relojoaria do pai.

A fachada da loja de relógios fez da casa um local ideal para essas atividades. Um quarto secreto, não maior do que um closet, foi construído no quarto de Corrie atrás de uma parede falsa.

O espaço podia acomodar até seis pessoas, que tinham de ficar caladas e quietas. Um sistema de ventilação improvisado foi instalado para fornecer ar para os ocupantes.

Quando viaturas da Gestapo eram vistas nas proximidades, uma campainha tipo cigarra era acionada na casa, cujo zumbido indicava o perigo, permitindo aos refugiados, em pouco mais de 1 minuto, procurar o esconderijo no santuário (assista ao vídeo).

Alguns refugiados ficariam apenas algumas horas, enquanto outros ficariam vários dias até que outra “casa segura” pudesse ser localizada.

Corrie Ten Boom tornou-se líder no movimento, supervisionando uma rede de “casas seguras” no país. Através dessas atividades, estima-se que 800 vidas de judeus foram salvas.

Um informante holandês acabou traindo a família e denunciou aos nazistas as atividades dos Ten Boom.

Corrie Ten-o esconderijoA Gestapo invadiu o lar, mantiveram a casa sob vigilância e, no final do dia, 35 pessoas, incluindo todos os membros da família Ten Boom foram presos inclusive o pai de 84 anos de Corrie, que logo morreu em uma prisão localizada perto de Haia.

Apesar de os soldados alemães terem revistado a casa, não encontraram a meia dúzia de judeus escondidos no esconderijo secreto. Os seis permaneceram no espaço apertado por quase três dias antes de serem resgatados por membros da resistência holandesa.

Corrie e sua irmã Betsie foram enviadas ao campo de concentração de Ravensbrück, perto de Berlim.

Corrie experimentou toda a intensidade das brutalidades de um campo de concentração. Lá ela conviveu com cenas de horror do Holocausto, inclusive testemunhando a morte de sua irmã Betsie. no dia 16 de dezembro de 1940.

Devido a um erro burocrático em papeis, Cornie foi libertada por engano em fins de 1940.

Corrie Ten-familia e judeusCom sua libertação inicia uma verdadeira cruzada em propagar ao mundo, em mais de 60 países que visitou e em várias entrevistas e programas de televisão, todo o horror e desumanidade do nazismo.

Recebeu muitas homenagens, incluindo ser condecorada pela rainha dos Países Baixos.

Em dezembro de 1967 Corrie foi honrada com a inclusão de seu nome nos “Justos entre as Nações”, pelo Estado de Israel.

Em 1971, ela escreveu um best-seller de suas experiências durante a Segunda Guerra Corrie Ten- livroMundial, intitulado The Hiding Place (O Refúgio Secreto). Em 1975, o livro foi transformado em um filme.

O filme narra a história de sua família, pai e irmãos, que lutaram contra o terror nazista com a única arma que eles dispunham em mãos: a educação cristã que receberam ao longo de suas vidas de generosidade e amor.

Corrie aparece no final do filme, já com 80 anos, com a aparência de uma senhora forte e cheia de fé, afirmando a promessa que prometera à irmã Betsie, de propagar ao longo de toda sua vida a sua fé.

Em 1977, aos 85 anos, Corrie Ten Boom mudou-se para a Califórnia, Estados Unidos. No ano seguinte, ela sofreu uma série de derrames que a deixaram paralisada e incapaz de falar.

Ela morreu exatamente em seu 91º aniversário, 15 de abril de 1983. Sua passagem nesta data evoca a crença tradicional judaica que afirma que apenas pessoas especialmente abençoadas têm o privilégio de morrer na data em que nasceram.

>Com agradecimentos a Celia Prado  que indicou esse caso.

O esconderijo (mesmo para quem não entende holandês, as imagens dizem tudo) 

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