bengurion

 

Meus amigos.

Nesta semana interrompo a série sobre atrações aqui na terrinha para simplesmente contar-lhe o que aconteceu com  o Primeiro Ministro de Israel, Ben Gurion, em uma visita ao Presidente dos USA, Eisenhower, em 1954.

Israel, um país com pouco mais de cinco anos de existência recebia centenas de milhares de sobreviventes do holocausto – gente sem dinheiro, muitos extremamente debilitados físicamente, quase todos em situação emocional precária depois de terem perdido seus bens, sua cidadania e – o mais importante, suas famílias. Outra imensa quantiade de imigrantes provinham de países Árabes, de onde foram expulsos com sua roupa do corpo e quase nada mais. Eram os primeiros anos difíceis para o Estado de Israel. Os parcos recursos haviam sido consumidos na Guerra de Independência quando Israel foi atacado por todos os países Árabes vizinhos – Egito, Síria, Jordânia, Líbano e Iraque reforçados por contingentes da Arábia Saudita e Yemen.

John Foster Dulles era o secretário de Estado dos EUA e não nutria qualquer sentimento de solidariedade com os Judeus e menos ainda com Israel. Ao ouvir o pedido de ajuda financeira que Ben Gurion fazia, este, num gesto de deprezo, perguntou a Ben Gurion:

Diga-me, Sr. Primeiro-Ministro qual o povo que você e seu Estado representam? Por acaso representa os Judeus da Polônia, talvez Iêmen, Roménia, Marrocos, Iraque, Rússia ou talvez o Brasil? Depois de 2000 anos de exílio o senhor pode falar honestamente sobre uma única nação e uma única cultura? O senhor pode falar sobre um patrimônio único ou talvez uma única tradição judaica? “

Ben-Gurion respondeu-lhe da seguinte forma:

Veja, Senhor Secretário de Estado, por volta de 300 anos atrás, o Mayflower zarpou da Inglaterra e nele embarcaram os primeiros colonos que se estabeleceram no que se tornaria a maior superpotência democrática, conhecida como os Estados Unidos da América. Agora, faça-me um favor, saia as ruas e encontre 10 crianças norte-americanas e pergunte-lhes o seguinte:

– Qual era o nome do capitão do Mayflower?
– Quanto tempo durou a viagem?
– O que as pessoas que estavam a bordo do navio comeram?
– Quais eram as condições de navegação durante a viagem?
Tenho certeza que o Sr. vai concordar comigo que há uma grande chance do senhor não ter respostas para estas perguntas.

Agora em contraste – e não apenas a 300 anos atrás, porém a mais de 3.000 anos, os Judeus sairam do Egito. |O Sr. tem a oportunidade de viajar por todo o mundo. Eu gentilmente solicito que o Sr., em suas viagens ao redor do mundo, junte 10 crianças judias em diferentes países e lhes pergunte:

– Qual era o nome do líder que tirou os judeus do Egito?
– Quanto tempo demorou para eles chegarem à terra de Israel?
– O que eles comeram durante o período em que estavam no deserto?
– O que aconteceu com o mar quando se depararam com ele?

Depois de obter as respostas a estas perguntas, por favor, reconsidere cuidadosamente a pergunta que o Sr. acabou de me fazer! ”

Amigos, nós Judeus recontamos nossa história todo ano, nesta época. Sabemos quem nos tirou do Egito, o que comeram nossos antepassados, o tempo da viagem, como atravessaram o mar e aonde nosso povo chegou. Cabe a todos e a cada um de nós seguir contando esta história para que nossos filhos, nossos netos e seus netos e os netos de seus netos sigam sendo elo desta corrente histórica, religiosa, ética e humana que é o Judaismo.

Desejo a todos um Chag Sameach. E aos meus queridos leitores não Judeus, desejo uma feliz Páscoa e traduzo a expressão Chag Sameach: Desejos de Uma Festa Alegre.

Até a semana que vem.

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