perguntandoQuando é pequena e já sabe falar, a criança começa a fazer perguntas. Antes da fala, para conhecer algo ela tinha que tocar e sentir. Agora, além disso, ela também tem a capacidade da fala, das palavras e, com isso, a capacidade de perguntar sobre o que quer saber. Até mesmo, porque tem coisas que não tem como tocar, como o motivo de o céu ser azul, por exemplo, ou da onde vêm os bebês dentre muitas e muitas outras perguntas que surgem na mente da criança.

A criança pergunta uma vez, o adulto explica. Pergunta de novo, o adulto explica de novo, e a criança costuma repetir as mesmas perguntas. O problema é quando isso irrita o adulto a ponto de ele manifestar sua irritação à criança quando pergunta a ela algo parecido com isso: “De novo essa pergunta? Mas eu te expliquei mil vezes! Como você ainda não entendeu?”. Aí virou um problema.

O problema é que quando se barra a criança de fazer perguntas isso pode provocar um impedimento interno em que a criança proíbe ela mesma de perguntar pois, para ela, por exemplo, isso pode significar que “fazer perguntas deixa os outros irritados”. E aí ela para de perguntar. E esse sentido, pode vir a se tornar um padrão de funcionamento inconsciente, segundo o qual, no futuro, o adulto, por um motivo que não se lembra e que lhe é desconhecido, se percebe como não se permitindo perguntar, por mais dúvidas que possa ter.

O conhecimento é construído. Construído como? Recebendo respostas às perguntas: das crianças e de todos os seres humanos. Cada resposta a uma pergunta feita passa por um processo até ser elaborado e entendido. A elaboração e entendimento não quer dizer que é idêntica para todos, pois cada um tem o seu próprio entendimento com base nos sentidos que dá para o que ouve, vê e vive.

A repetição faz parte do processo de elaboração do conhecimento. Então, quando uma criança faz a mesma pergunta mil vezes, não é para deixar ninguém nervoso, não é com a intenção de irritar o outro e sim com a intenção de ir assimilando tal resposta, criando conexões dentro de si e tirando conclusões até criar seu sentido para aquilo e construir seu conhecimento, seu entendimento sobre aquilo.

Então, poder aguentar dentro de si as perguntas de uma criança, por mais vezes que ela pergunte, e responde-las, pode ajuda-la a construir seu próprio conhecimento sobre si, sobre a vida e sobre o mundo.

Comentários, perguntas, controvérsias?
Sempre bem-vindos!

Até a próxima,
Sefi

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