JUSTOS-CAPA- MIEP GIES

 

No Museu do Holocausto – Yad Vashem – em Jerusalém, existe uma árvore plantada em homenagem a cada “Justo entre as Nações”, título concedido pelo governo de Israel em reconhecimento a todos os não-judeus que durante a Segunda Guerra Mundial salvaram vidas de judeus da sanha sanguinária do nazismo.

Miep Gies é uma Justa entre as Nações.

Miep-casamentoMiep Gies era membro de uma família operária em Viena (Áustria) durante e depois da Primeira Guerra Mundial, mas tinham o suficiente para comer.

Em 1920, foi oferecido a Miep mudar-se para os Países Baixos, em virtude de um programa da associação holandesa de trabalhadores para ajudar crianças desnutridas depois da Primeira Guerra Mundial.

Em dezembro do mesmo ano, chegou a Leiden, na Holanda, e foi acolhida por uma família cristã.

Com a permissão da família adotiva e dos seus pais, decidiu permanecer no país até a fase adulta.

Quando procurava emprego durante a Grande Depressão, em 1933, Gies encontrou um trabalho com um homem de negócios suíço-alemão vendendo pectina para fazer geleia. Seu nome era Otto Frank, o pai de Anne Frank.

Gies e seu futuro esposo se tornaram amigos da família Frank, convidando-os com frequência. E quando chegou o dia do seu casamento, Otto organizou uma pequena festa Miep-Anne close2para que os dois pudessem viver aquela celebração apesar da já ocupação nazista do pais.

“Sentimos uma preocupação profunda pelos nossos amigos judeus. Tive um sentimento de pena”.

“Como fomos tão ingênuos a ponto de pensar que a nossa neutralidade seria respeitada por um homem imoral como Adolfo Hitler?”

“Quando o Sr. Frank me contou sobre o plano de refúgio, naquela mesma noite contei a Jan, meu marido, sobre a nossa conversa. Sem discussão, Jan ofereceu a sua ajuda incondicional”, escreveu Gies em seu livro.

Miep-Anne escrevendoMiep foi uma das cinco pessoas que esconderam por dois anos oito judeus – entre eles Anne Frank, a autora do famoso diário – num esconderijo anexo a um escritório durante a perseguição nazista na Segunda Guerra Mundial.

Durante esse tempo, Miep e os outros quatro foram o único contato do grupo de judeus com o mundo exterior.
Gies e seus outros conhecidos holandeses conseguiram sustentar a família Frank nas instalações da companhia onde trabalhavam.

Mas, no dia 4 de agosto de 1944, um oficial da S.S. descobriu o esconderijo, os prendeu e Otto foi o único deportado judeu que sobreviveu.

Naquele tempo, Anne Frank foi capaz de discernir quão amáveis eram seus colaboradores holandeses.

“Nunca pronunciaram uma única palavra sobre o fardo que devemos ser”, escreveu Anne Frank sobre Miep Gies em seu diário.

“Nunca se queixaram de que damos muito trabalho. […] trazem flores e presentes nos Miep-tumuloAneFrankdias de aniversário e datas festivas.”

“Estão sempre prontos para ajudar em tudo o que estiver ao seu alcance, coisas que jamais deveremos esquecer.”

“Alguns mostram seu heroísmo lutando contra os alemães; nossos benfeitores revelam o seu, dando-nos alegria e carinho”, foram as palavras de Anne Frank em seu diário.

No diário a adolescente recorda os 25 meses que permaneceu escondida dos nazistas em um sótão em Amsterdã (Holanda), até que as tropas alemãs a encontraram em 1944 e a enviaram ao campo de concentração de Bergen-Belsen (Alemanha), onde morreu de tifo aos 15 anos.

Depois da guerra, Gies recolheu os escritos de Anne com a esperança de entregá-los a Anne sem saber ainda de sua morte no campo Miep etc 1965de concentração.

Finalmente, entregou os escritos ao pai de Anne, Otto, que sobreviveu à guerra e os recopilou no famoso livro publicado pela primeira vez em 1947, “O Diário de Anne Frank”.

“Não sou uma heroína”, escreveu Miep Gies na primeira frase do prólogo do livro que escreveu sobre suas experiências ao dar refúgio a Anne Frank e sua família durante o Holocausto.

Miep Gies sempre recusou o rótulo de heroína. Considerava-se simplesmente um ser humano que fez o que era preciso ser feito. “Eu ajudei pessoas que estavam Miep-idosanecessitando. Qualquer um pode fazer isso, não?”, perguntava humildemente.
Não, poucos podem. Poucos poderiam fazer o que ela fez.

“Eu estou no fim da fila, de uma longa fila de bons holandeses que fizeram o que eu fiz ou mais – muito mais – durante aqueles tempos terríveis e sombrios”, disse em certa ocasião.

Miep ajudou mais pessoas – um jovem ficou escondido em sua casa. Ela diz que 20 mil holandeses esconderam judeus dos nazistas.

Miep fez sua parte e também o marido dela, Jan. “É sempre melhor tentar do que não fazer nada porque não tentar seguramente é um completo fracasso”, escreveu.

Gies foi honrada com o título “Justos entre as Nações” pelo governo de Israel em 8 de março de 1972. Faleceu aos 100 anos no dia 11 de janeiro de 2000.

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