hasid

Nas parashiot anteriores vimos as explicações para a construção do Mishkan, agora nos diz a Torá: “E reuniu Moshe toda a congregação dos filhos de Israel e disse-lhes: Estas são as coisas que o Eterno ordenou que se fizessem” (Shemot 35:1). Em outras palavras: já falamos muito, chegou a hora de pôr a mão na massa!

Antes mesmo de se começarem os trabalhos Moshe já deixa claro que “seis dias se fará o trabalho, e o sétimo dia será para vós santidade, shabat de repouso ao Eterno…”. Um pouco incomum que no momento da contratação o trabalhador seja informado de suas férias antes de saber o que se tem que fazer. Longe de demonstrar preguiça ou reivindicações sindicais, o segundo passuk nos revela o quanto o povo estava ansioso para construir o Mishkan para trazer a presença divina para o meio do acampamento. Am Israel estava falando sério quando disse “faremos e ouviremos” a ponto de serem alertados de quando terão que descansar antes mesmo de começarem a trabalhar.

O êxtase que se sente hoje quando estamos frente ao Kotel (Muro das Lamentações) pela primeira vez, ou quando alguém que estave longe da yahdut faz teshuvá e se dedica afinco aos estudos da Torá e ao cumprimento das mitzvot, embora se assemelhe ao sentimento do povo frente a construção do Mishkan é sempre temporário. Não quer dizer que com o passar do tempo se perca o amor e o interesse, mas que a rotina nos acostuma com o novo e o êxtase diminui com o tempo. O mesmo acontece com os relacionamentos e o matrimônio. Isso é normal. Porém nos tempos da construção do Mishkan e nos dias do Primeiro Templo em que a Arca da Aliança estava conosco este êxtase era quase que constante.

Refua ShelemaÉ sabido que as emoções intensas podem vencer facilmente nossa razão e nos leva a nos comportar como bobos apaixonados, fanáticos por esportes, política, religião, ou, no pior dos casos, a sermos extremistas. Esta não deve ser jamais a intenção em qualquer que seja o campo, pois o extremismo é sempre cego, surdo e danino. É certo que nos ensina Pirkei Avot a fazer de Sua vontade a nossa vontade e anular nossa vontade frente a Sua (Avot 2:4), mas devemos ter em mente que a vontade Divina foi revelada na Torá Escrita e Oral e dela não devemos nos desviar. Portanto, não devemos seguir “Sua Vontade” segundo o que nós mesmos entendemos ou como nós queremos que ela seja, pois assim definitivamente estaríamos fazendo nossa vontade e não a do Eterno. Sendo assim, não se pode fazer além do estipulado como forma de amar ou agradar a Hashem?

Na yahdut há o conceito de chassid que, dentre outras explicações, se refere àquele que cumpre as mitzvot além do que foi estipulado. Este chassid está sempre em busca de encher-se de Torá e fazer tudo da melhor forma possível, inclusive além do que lhe está obrigado, a fim de santificar o mundo e se conectar ainda mais com Hashem. Está muito lindo este conceito, mas justamente aí se esconde o yetzer hará.

Nos traz a Torá:

Shemot_35-5

“Tomai de vós oferenda separada para o Eterno; todo doador de coração trará a oferenda do Eterno: ouro, prata e cobre” Shemot 35:5

Graças ao Rabino Meir Matzilah Melamed z”l podemos entender este passuk em uma primeira leitura, mas se o lemos em hebraico, e por isso o coloquei aqui, o passuk nos parece confuso por repetir “oferenda”. A primeira pergunta seria o porquê do pronome “ela” (Ha) no fim do verbo trazer. Explica Rabi Abraham ben Ezra (filho de Rabi Meir Ibn Ezra), século XI, que o pronome vem para ressaltar o complemento que segue “a oferenda do Eterno”. Ok… mas para quê ressaltar uma vez que já fora dito antes? Uma vez repetido não há necessidade de ressaltar.

Esta segunda pergunta nos responde Sforno. Há uma diferença entre “trumá laHashem” e “et trumat Hashem”. A primeira oferenda é voluntária a qual cada um deve trazer a quantidade que estipular seu coração. A segunda é a oferenda que estava obrigado trazer e que tem a quantidade específica de meio shekel, não podendo ofertar nem mais nem menos. Segundo Sforno poderíamos traduzir este passuk da seguinte maneira:

“Tomai de vós oferenda para o Eterno de todo doador de coração: ouro, prata e cobre; trará [também] a oferenda do Eterno”. Entenda como chegamos a esta tradução clicando aqui

Não é fazendo a mais que podemos anular as obrigações. A lógica e a razão nos obriga a entender que só se pode fazer mais quando o mínimo já foi feito. Não posso colocar mais água em um copo no qual nunca foi vertido água antes. Ser chassid e amar as mitzvot exige o cumprimento do básico antes de qualquer coisa. Usar branco e negro, deixar crescer peiot e a barba e não rezar com minian é uma piada.

Israel se elevou a condição Am Hachassid quando dedicou todas suas forças para a construção do Mishkan. Nós também podemos nos elevar a este nível, mas lembrando que devemos começar de baixo.

Esta drashá é pela elevação da alma de Rav Yehudá Kuperman z”l

Shabat Shalom

https://portaljudaico.com.br/vendoo/uploads/2017/03/hasid.jpghttps://portaljudaico.com.br/vendoo/uploads/2017/03/hasid-150x150.jpgKaleb LustosaPARASHÁ DA SEMANAChassidismo,Chassidut,Emuná,Fé,parasha da semana,VaiackelNas parashiot anteriores vimos as explicações para a construção do Mishkan, agora nos diz a Torá: “E reuniu Moshe toda a congregação dos filhos de Israel e disse-lhes: Estas são as coisas que o Eterno ordenou que se fizessem” (Shemot 35:1). Em outras palavras: já falamos muito, chegou a...Comunidade Judaica Paulistana