kelimshloovim__7253“Farão para mim um santuário e habitarei entre eles” (Shemot 25:8)

Hashem ordena os hebreus a construírem um santuário em seu nome. As leis referentes à construção e à confecção dos utensílios e roupas litúrgicas estão distribuídas em quatro parashiot, a saber: Terumá, Tetzavê, Vaikehel e Pekudei. As explicações sobre o santuário podem ser dissertadas em dois conceitos: o primeiro são os aspectos físicos e materiais que abrangem as leis de confecção, disposição e modo de uso; o segundo é o aspecto espiritual ressaltando o significado transcendental de cada peça e de cada ação com ela praticada. Porém fica uma pergunta pendente: Por que Hashem requere de Am Israel que se lhe construa um santuário?

Refua ShelemaAlguns sábios discutiram esta questão e publicaram suas opiniões de qual seria a razão para que Deus, ainda que destituído de corpo e necessidades, ordena que se lhe construa não dois ou vários, mas apenas um único santuário. Tomando o pshat do pasuk entendemos que a razão seria para que Hashem habitasse entre nós. Explica Sforno que seria para que Hashem falasse conosco e recebesse nossa tefilá e nossos serviços. O pshat parece que não saciou a curiosidade de alguns sábios que terminaram trazendo outras opiniões.

Rambam explica que Hashem entende as necessidades espirituais do homem. Assim como na saída do Egito Hashem conduz o povo pelo deserto, pois se tomasse o caminho mais curto cruzando as terras dos filisteus poderiam temer as guerras e voltarem para o Egito, assim Deus ordena a construção do santuário e a consagração de sacrifícios para que se atenda a necessidade espiritual do homem de ser um agente ativo no serviço de adoração. Haja vista que Am Israel estava acostumado com as práticas pagãs, o Mishkan vem a atender a falta da ação humana direta no serviço de adoração.

Ramban traz a perspectiva de que por meio do Mishkan se completa a saída da galut. A obra da gueulá só estaria completa quando Am Israel tem a possibilidade de se aproximar do Pai Celestial fazendo as obras (sacrifícios) de adoração da mesma forma como fizeram os patriarcas. Também sugere que seria da vontade divina que a influência espiritual de Maamad Har Sinai (recebimento da Torá) seguisse acompanhando a Am Israel em qualquer lugar que estivesse. Que o Mishkan, bem como Maamad Har Sinai, seriam a maior expressão de aproximação entre Deus e o Homem.

Abravanel explica que o santuário se mostra como uma prova a todo aquele que questiona a participação de Deus no cotidiano desde mundo. Por meio dele se contra argumenta aqueles que dizem que Deus habita em um plano distante e desconectado do nosso e que não influencia e nem intervém nas questões deste mundo. Os milagres testemunhados no mishkan testificam a influência e a intervenção direta por parte de Deus neste mundo.

Rihal (Sefer Hakuzari) diz que não há razão sabida na construção de um santuário. Hashem conhece a composição dos materiais e qual o resultado delas. Sendo assim Ele sabe qual a razão da construção do Mishkan. Nós, porém, não somos capazes de alcançar esta compreensão, mas sim obedecemos seu mandamento pois somos confiantes de que por trás deste mandamento há um propósito que nos beneficia. Assim foi o pecado do bezerro de ouro; onde o pecado não foi o de fundir um bezerro, mas sim de fazê-lo sem ter sido ordenado por Hashem.

O santuário é o lugar onde podemos fazer nosso melhor serviço de adoração: aperfeiçoar as nossas qualidades nos arrependendo de nossos pecados e os expiando. Assim como Hashem criou o mundo em seis dias e no sétimo descansou para que o homem habitasse nele e governasse sobre todo ser vivente, Am Israel constrói o mishkan em seis dias descansando no sétimo a fim de que Hashem habite entre nós e seja soberano e governador de nossas almas.

Segundo todas as opiniões o Mishkan está designado para manter uma aproximação em nossa relação com o Eterno. Sendo assim, esta casa não pode ser construída de qualquer forma, nem em qualquer lugar e muito menos de qualquer material. Os 13 elementos com os quais o povo de Israel viria a construir o Mishkan (Tabernáculo) são especificados na Torá e deveriam ser dados segundo o que o coração de cada um desejasse ofertar, com exceção de um: a prata.

As ofertas para a construção do Mishkan eram dadas segundo a vontade de cada um. Cada pessoa doava o que falasse seu coração. E com essas ofertas se confeccionou todos utensílios, estruturas e roupas necessários para o exercício dos serviços oficiais. A prata, por sua vez, era o metal com o qual se faziam as negociações comerciais; ela era o dinheiro do povo hebreu. Os valores monetários no Tanach e suas negociações em sua maioria eram cotizados em prata.

Diferente do dinheiro, uma roupa que não está em uso ou qualquer outro material é mais fácil doar. O dinheiro representa poder. Com dinheiro se pode comprar as necessidades diárias ou se pode adquirir coisas triviais. Não importa o que se vá comprar, o dinheiro nos dá a possibilidade de decidir sobre nós, nosso destino e dos outros muito mais do que objetos que, embora valiosos, não representam o mesmo sentido de poder. Por isso abdicar-se do dinheiro é mais difícil, pois assim estamos abrindo mão de nosso poder.

A Torá ordena ao povo hebreu sobre a manutenção do Mishkan de forma igualitária por meio da contribuição anual do meio shekel (meio ciclo de prata), obrigatória para homens a partir dos 20 anos de idade. Ninguém poderia dar nem mais nem menos que meio shekel; porque sozinhos não somos completos precisamos da cooperação do outro para que completemos nossa vida. Com esse dinheiro se comprava os animais e os materiais para os sacrifícios públicos.

Contudo, a prata doada nesta parashá, como parte dos 13 elementos que falamos, também foi ofertada segundo a medida de Mahatzit Hashekel (meio Shekel) por cada homem a partir dos 20 anos e com ela se fundiu as bases para as paredes e colunas do Mishkan e ganchos de fixação das paredes externas. Em outras palavras, para que possamos edificar as bases de nossa fé devemos nos abdicar de nosso orgulho, avareza e mesquinhes. A fé pura não tem dono.

Embora hoje não tenhamos o Templo, a sinagoga é nossa representação mais próxima e a ela devemos ter semelhante cuidado e dedicação. Assim como na parashá vemos que a construção do Mishkan era para que Hashem viesse a habitar entre nós, em nosso cuidado e santificação da sinagoga somos capazes de trazer a presença divina quando rezamos em um lugar que melhor proporciona nossa kavaná (intenções sinceras). As trumot e tzedakot não apenas ajudam no serviço divino e aos necessitados, mas também trazem ao doador a garantia divina de parnasá (sustento), como traz Tehilim 4: “ofertem ofertas de justiça e confiem em Hashem”. Saibam que aquele que dá de bom coração não sai de mãos vazias.

Que possamos fazer a vontade divina e não as nossas como está escrito em Pirkei Avot 2:4 “Consideres Sua vontade como se fosse a tua própria, assim Ele tratará teus desejos como se fossem Seus desejos. Anules tua vontade perante Sua vontade, e assim Ele anulará os desejos de outros face à tua vontade”.

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