Adorei o artigo da articulista do Portal Judaico e amiga Naomi Yamaguchi, “Mesmo isso é para o Bem”. Tanto que resolvi compartilhar com vocês uma história de Rabi Nahum de Gam Zu, que inspirou o artigo de Naomi. Semana que vem compartilho mais uma história desta grande figura do Talmud, cuja inteligência, na minha opinião, é o que leva as coisas a serem vistas como boas – e não que as coisas sejam sempre boas em si mesmas. Boa leitura!

5597576O Homem de Gam Zu

(inspirado no Talmud, Taanit 21a)

Por que o rabino era conhecido como Nahum de Gamzu? Porque para tudo o que lhe acontecia ele dizia: “Gam zu letová, também isso é para o bem”. Por isso ficou conhecido como “O Homem de Gamzu”.

Certa vez os judeus desejaram enviar um presente à corte do governador. “Quem vai?”, discutiram. Não demorou muito e a decisão estava tomada: “Vai o Nahum, o Homem de Gamzu. Ele sabe como lidar com essas situações”. Pelo jeito aqueles judeus não haviam decidido enviar um presente ao governador romano por amarem ou respeitarem o figurão ou porque ele era bom com eles. É mais provável que fosse um modo de manter boas relações com o governo e assim tentar garantir um pouco de tranquilidade na vida diária, sem perseguições ou ataques vindos do nada. Mas eles sabiam também que qualquer erro poderia ser fatal, daí ser necessário pensar muito bem quem enviar como porta voz.

E lá foi Nahum, o Homem de Gamzu, pela estrada, nos ombros uma bolsa cheia de pérolas e pedras preciosas como presente para o governador. A viagem era longa. À noite Nahum parou para descansar numa hospedaria à beira da estrada e ocupou um quarto. Durante a madrugada os donos do local se levantaram, pegaram a bolsa de Nahum, retiraram todas as pérolas e pedras preciosas e a encheram com entulho de terra e palha. No dia seguinte, ao se dar conta do ocorrido, Nahum disse para si mesmo: “Gam zu letová, também isso é para o bem”. Partiu e seguiu viagem.

Chegando ao palácio do governador, abriram a sua bolsa e só encontraram aquele monte de entulho. O governador ficou uma vara. Prestes a mandar matá-lo, exclamou: “Que pó de terra é este? Estes judeus estão zombando de mim!” − E Nahum disse para si mesmo: “Gam zu letová, também isso é para o bem”.

Foi então que Eliahu Hanavi, o Profeta Elias – que volta e meia aparece para salvar a pele de judeus em apuros –  dirigiu-se ao governador romano disfarçado de conselheiro real e lhe disse: “Meu senhor, talvez este seja o poderoso Pó da Terra de Abrahão, o patriarca dos judeus. O senhor sabe, quando se via cercado de inimigos, Abrahão lançava este pó para o alto e ele se transformava em espadas”.

O governador romano não se convenceu e voltou a exclamar: “E o que vem a ser toda esta palha? Estes judeus estão caçoando de mim!”

O Profeta Elias, disfarçado de conselheiro real, argumentou: “Meu senhor, depois que Abrahão, o patriarca dos judeus, fazia o pó da terra se transformar em espadas, ele em seguida jogava esta palha para o alto e esta tomava a forma de setas, conforme está escrito: ‘Serão suas espadas como pó e suas setas como a palha que o vento leva’. (Isaías 41:2) O senhor certamente conhece a história daquela nação que ninguém conseguia conquistar? Pois é. Os judeus usaram este pó e a conquistaram”.

Convencidos do poder daquele entulho milagroso, os guardas do palácio foram até a sala do tesouro real, despejaram ali todo aquele pó e palha, encheram novamente a bolsa de Nahum com pérolas e pedras preciosas e o mandaram de volta para casa, coberto de honrarias.

Quando durante a viagem de volta Nahum se instalou novamente na mesma hospedaria, os proprietários perguntaram, surpresos: “O que você levou para o governador para receber tantas honrarias?” Nahum respondeu: “O que levei de cá entreguei lá”.

Ao ouvirem isso, os funcionários puseram a hospedaria abaixo a machadadas na mesma hora, juntaram todo o entulho e levaram ao palácio real, imaginando quanta riqueza aquilo deveria valer. Ao chegarem, disseram ao governador: “O pó que os judeus trouxeram para cá é nosso”. Na primeira batalha que houve o exército do governador testou o pó, mas ele não surtiu nenhum efeito. E os donos da hospedaria foram levados à morte.

 

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