Many dollars in the format of a gift box

E se você ganhasse na loteria, seria mais feliz? COM CERTEZA, todos gritariam!

“Dinheiro não compra felicidade, mas que compra tranquilidade, isso compra!”, diz uma sabedoria popular que briga com aqueles que vêem no dinheiro a razão de todo o mal.

A verdade é que a maior fonte de preocupações da maioria das pessoas é relacionada a dinheiro. Ele nos dá segurança de que nada material vai faltar, ele nos permite realizar sonhos como viagens, a casa própria, estudos dos filhos, acesso aos melhores tratamentos se nosso problema é saúde.

Alguns diriam que dinheiro não garante a saúde, não garante o afeto. Eu adicionaria que ele não garante o sentimento de realização do nosso potencial. Pode ser uma consequência, e até mesmo um símbolo do nosso sucesso, mas não é o sucesso em si.

Você talvez já ouviu falar na Pirâmide de Necessidades de Maslow?

piramide de maslow

Primeiramente precisamos preencher nossas necessidades fisiológicas, depois de segurança. Em seguida vem a necessidade de pertencer a um grupo, receber amor para depois buscar prestígio e auto-estima. No topo está a Autorealização, que é alcançar seu máximo potencial, manifestar sua criatividade.

Se analisamos bem, o dinheiro nos ajuda com os dois primeiros passos, mas cada outro passo em direção à autorealização é baseado em recursos que pouco têm a ver com dinheiro. Mas precisamos primeiro de dinheiro para depois nos realizarmos?

Existe um estudo que acompanhou 20 ganhadores de loteria por dez anos. Pasmem, mas 90% deles perderam tudo e mais ainda em menos de dez anos. Questionando os sobreviventes, os pesquisadores entenderam que o que os fêz manter e até aumentar seu patrimônio foi uma mudança da mentalidade. Eles deixaram de ver o dinheiro como a fonte de todo o mal ou de felicidade em suas vidas, criaram crenças positivas a respeito do dinheiro e de quem construiu riqueza sozinho, e passaram a mirar na autorealização. Agora que já eram ricos, foram em busca de um ideal de si mesmos. Em busca de se tornarem quem eles gostariam de ser. Acreditar em si mesmos, fazerem e estarem onde eles mais fazem a diferença, serem amado por serem quem eles se tornaram.

Você conhece alguém que ganhou na loteria? Eu sim. Conheço quatro pessoas e um país. Vou te contar a história de uma delas.

D. queria ser atriz mas nunca conseguiu sucesso nisso. Quando nos conhecemos, ela me ajudou muito, e eu à ela. Ela era engraçadíssima, generosa e carente. Às vezes tínhamos de juntar nossos centavos para comprar juntas um café no Starsbucks, mas ela fazia tudo ser leve. Só que não buscava mais a autorealização, embrenhada em sanar os problemas do dia-a-dia.

Seu pai tinha uma doença degenerativa gravíssima, sem cura. Ela estava sempre com planos mirabolantes para conseguir dinheiro para um tratamento para seu pai. Uma hora era a descoberta de fontes de água pura nas suas terras e a venda do terreno para uma engarrafadora de água mineral de luxo, outra hora era o leilão das jóias da sua avó, uma nobre russa que fugiu da revolução bolchevique. Certa vez seu irmão, um cético de carteirinha, berrou para que ela repetisse: “Não existe cheque milagre!”. Ela se negou a falar essas palavras realistas mas assassinas. Ela queria acreditar!

Um dia ela foi com a mãe em um casino (moravam no Canadá) e enquanto a mãe jogava 20 dólares nas maquininhas mais baratas, D. colocou 5 dólares em uma outra máquina. De repente houve uma sirene, e a segurança fez um cordão em volta da máquina dela. Ela tinha ganhado o jackpot. Foi levada para a administração, lhe deram um drink (apenas um para ela não ficar bêbada), e anunciaram que ela ganhara o maior jackpot da história: 40 milhões de dólares!!!

Alguns anos depois de sair de Londres onde convivíamos, nos encontramos em Paris. Ela tinha conseguido para seu pai uma cirurgia experimental revolucionária no Hospital Americano de Paris, e iria investir seu dinheiro nessa pesquisa. Mas a vi infeliz. Tinha engordado muito, se separou do namorado sem dizer à ele que tinha ganhado aquele dinheiro todo, e se afastou de todos a quem poderia ter ajudado por medo de se tornar uma presa de sanguessugas. Que eu saiba, não voltou a confiar em ninguém, e desapareceu do mundo. Pelo menos me pagou um dinheiro que me devia três anos depois.

Hoje nos perguntamos que fim teve. Alguns dos seus amigos, eu incluindo, fizeram até uma pesquisa internacional para descobrir seu paradeiro. Pressentimos um fim triste. Ela tinha a mesma doença do pai.

Me lembro sempre de seus olhos marejados dizendo: “É complicado ter tanto dinheiro”. Como se ela quase quisesse que aquilo não tivesse acontecido. Eu entendi que, uma vez que a necessidade de sobreviver a cada dia desapareceu, D. se confrontou com os outros níveis da pirâmide e se sentia derrotada. Não tinha sonhos, não tinha autoestima. Rezo para que ela tenha outros recursos que não o dinheiro apenas para superar esse sentimento.

Tenho também a história de um país que ganhou na loteria: O Brasil.

Há 10 anos atrás, recebemos um bilhete premiado que foi uma economia que não sofreu com a crise imobiliária mundial, descobriu o pré-sal, tudo dava certo e fomos chamados da Terra das Oportunidades. Começamos a gastar desenfreadamente. Fomos escolhidos para sermos o centro do mundo em um Copa e uma Olimpíada. Só faltou sermos a sede da Expo Mundial.

Mas como os maus ganhadores de loteria, não tínhamos entendido que aquele era o momento de sonhar, de nos colocar uma meta de autorealização e de nos transformar em uma cultura da qual nos orgulhássemos. Não investimos em formação, não nos propusemos objetivos nobres. Não buscamos expertise ou aprendizado prático. Não indagamos o por quê éramos pobres. Quisemos que cada um tivesse um carro, mas não quisemos que cada um tivesse uma formação e emprego para pagar a gasolina e manter as estradas.

Como os 90% dos ganhadores de loteria, tínhamos a crença que a sorte era uma habilidade, um mérito próprio. Nos sofisticamos querendo viver como em outros lugares tão ricos como nós, aumentamos nossas necessidades, e agora estamos onde os maus ganhadores de loteria chegaram ao final de 10 anos: mais abaixo do que antes.

Nossas preocupações com dinheiro, por mais importantes que sejam, são apenas distrações do verdadeiro objetivo da vida, que é encontrar significado nela, nos capacitar para realizar esse objetivo, fazer laços de confiança e amizade, compartilhar com o mundo o que de melhor você pode oferecer.

Agora que não há mais “cheque-milagre” à vista, precisamos aprender com os países que conseguiram vencer sem nenhum bilhete premiado. Como eles venceram?

Eles venceram invertendo a prioridade da pirâmide de Maslow. Primeiramente não é dinheiro, mas definir o objetivo a alcançar, se capacitar. Depois é ter a autoestima e reconhecimento dos outros ao conquistar seu objetivo através da formação do conhecimento e da sua boa aplicação. Saber que amizades e relacionamentos, e por que não, a fé e a espiritualidade são um luxo gratuíto que podemos vir mesmo antes do bem estar e conforto.

Bem-estar, conforto e segurança, assim como felicidade, são consequências da autorealização, da autoestima, da interação com o mundo de forma afetiva e somatória. Não deixemos que o dinheiro, ou a preocupação com ele nos distraia da verdadeira meta da vida, que é revelar nossa essência e dar ao mundo aquilo que de melhor podemos oferecer.

Boa semana,

Naomi Greice Yamaguchi

 

 

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