quando-seu-cachorro-considerado-idoso2

Esse livro foi escrito sem pretensão, sem tempo, sem pressão. Escrevi durante anos, e só quando tinha vontade. Espero que ele tenha sido um prazer de leitura, além do aprendizado. Não sabia se iria publicá-lo um dia, mas se não publicar, vai virar um blog. Ele foi mais uma realização pessoal do que qualquer coisa. Uma homenagem ao Bud, que merece cada letra do livro, e cada minuto, hora e dia que gastei para escrevê-lo. E quero homenagear meu cachorro em vida. Nunca gostei dessa história de homenagear mortos. Qual a graça? Chamar parentes e amigos, todos sorrindo e chorando? Seria muito mais bacana se as pessoas vivas fossem homenageadas, realmente felizes e rindo ao lado de parentes e amigos. Fica a dica!!!
Na verdade já havia terminado, mas agora acho que vou fechar com chave de ouro. O Bud está deitado bem atrás de mim, entre o computador e a cama, onde eu coloquei um colchão d´água para ele. Acontece que esse carinha gente boa está com 11 anos, e com problemas na coluna devido aos pulos da janela – lembra? Escrevi sobre isso, como o meu maior erro com o Bud – e problemas normais de um cachorro ficando velhinho.
Então me dei conta que não escrevi sobre a velhice deles. Estamos em 2012, o começo desse ano foi absurdo de quente, e o Bud, com tanto pelo devia se sentir mal com tanto calor. Ele se deitava na sala, no banheiro, procurava pisos gelados. Durante a noite ele dormia no chão ao lado da minha cama, e várias vezes durante o sono ele mudava de lugar. Dormindo eu ouvia suas patinhas se mexendo e seu corpo exausto se jogando em qualquer lugar mais geladinho.
Aí conheci esse colchão d´água, que seria muito bom para a coluna – já que o Dr. Cléber havia mandado parar de dar remédio para não afetar outros órgãos – e que mantém a temperatura dele sempre agradável. Agora ele dorme o tempo todo nesse colchão, e durante a tarde ele tira suas sonecas lá também. Aliás, quem quiser conhecer comprei no site www.bitcao.com.br. Sempre compro brinquedos diferenciados lá.
Enfim, o Bud agora é um jovem senhor e aconteceram mudanças expressivas. Seus passeios exigem muito mais dele. Agora os passeios são mais curtos, o passo é mais lento. De vez em quando ele decide parar na rua, olha pra mim com a boca aberta como que pedindo para dar um tempinho. A gente espera alguns segundos e ele retorna ao passo lento. Mas quando vê algum amigo esquece do cansaço, e quer ir correndo cumprimentar. O passeio é dele, eu respeito seu tempo e sua vontade. Inclusive tento evitar atravessar a rua, pois ele anda muito devagar e os motoristas dirigem muito rápido, não é uma combinação segura.
O sono também aumentou. Agora se deixar ele passa o dia inteiro dormindo. E ronca. Resmunga algumas coisas incompreensíveis, se vira e dorme de novo. Lindo esse cachorro!!! Aí ele se levanta, toma água, senta e olha pra mim. Se ele realmente quiser alguma coisa ele sabe como pedir, senão é só demonstração de amor mesmo. Aí eu chamo ele, que vem se chegando e faço muito carinho, dou um abraço e libero. E ele volta pro soninho. Ah, e ele solta ruídos estranhos também, começou a roncar e adoro esses barulhos que ele faz.
E os brinquedos? Ainda bem que ele tem um monte deles. Senta ao lado da caixa de brinquedos e dá umas choradinhas. Aí eu pego um e não é aquele que ele quer. Ele resmunga, pega e larga. Dá um latidinho que eu nem sei como ele consegue, bem baixinho, fininho, me pedindo outro. Faz a mesma coisa quando pego outro brinquedo errado. E assim vamos, até eu pegar o brinquedo escolhido. Aí ele se levanta feliz da vida, pega o brinquedo e vai brincar. Aí parece que, de repente, ele se lembra dos brinquedos jogados, volta todo feliz e brinca um pouco com cada um. Depois volta para o brinquedo escolhido antes.
Tem um brinquedo em especial que ele ama. É uma bola de courinho comestível, bem dura, que conforme ele consegue amolecer um pedaço ela vai ficando mais fácil de ser comida. Não é que ele resolveu cavar e esconder essa bola? Mas eu moro em apartamento, então ele foi para a sacada e tirou terra de todos os vasos. Ninguém viu e ele esqueceu. Mas uns dois dias depois ele ficava todo choroso me levando para a sacada. Quando vi toda aquela terra espalhada nem acreditei. E ele me levava de vaso em vaso, suplicando para eu achar a bolinha. Como ele se comunica bem!!!! Achei a bolinha. Mas ele gostou da brincadeira, e repetiu isso dias seguidos. Aí que percebi que ele realmente estava ficando velhinho. Sabe velhinho que vai virando criança? Então, é o Bud. Fiquei triste ao levá-lo no veterinário e ouvir que é por isso que as pessoas largam cachorros na rua. Que horror!!!! Claro que vou ter que ter mais paciência com ele, mas jamais deixaria meu cachorro por ele estar ficando caduca e dar mais trabalho.
Outra coisa que mudou é a audição dele. Ele está ficando surdinho. Para chamá-lo preciso falar mais alto, senão ele não escuta. O que eu ainda estranho é não ouvir as patas dele batendo no chão quando eu chego. No primeiro dia o susto foi grande. Estava acostumada a chegar em casa e, saindo do elevador, já ouvia os passinhos dele. Imagine como foi não escutar esses passos. Muito estranho, mas correndo para o meu quarto dou de cara com o Bud dormindo profundamente. Quando ele me viu só faltou sorrir de verdade. Acho que ele também achou estranho não me esperar na porta. Agora já me acostumei, mas ainda o procuro assim que entro em casa. Estive pensando, será que isso não seria uma preparação para que nós, humanos, nos acostumemos com o silêncio que existirá com a falta deles? Sei que eles vão embora muito rápido, mas vale cada segundo passado ao lado deles, mesmo com o sofrimento na hora que eles se vão. Não sei lidar com perdas, e sei que me desespero só de pensar em perder o Bud. O que eu posso fazer é dar a ele uma velhice com segurança, felicidade, saúde e muito carinho.

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