Cachorro-4
Nos programas sobre cães, nas aulas de adestramento, nas conversas com comportamentalistas, em qualquer lugar onde o assunto seja os cães, a gente vai sempre ouvir que o cachorro não pode andar na nossa frente nas caminhadas. Agora eu pergunto: Por que não? Aí vale a mesma regra de cachorro em cima da cama, ou seja, se ele não é dominante, qual o problema de o cachorro andar na frente no passeio DELE? O Bud não só anda na frente como escolhe o caminho. Quando ele vai comigo a lugares pré estabelecidos eu que mando, mas quando é aquela voltinha até a esquina, passeios nas redondezas só para ele fazer xixi, qual o problema dele escolher o caminho? Desci por causa dele, nada mais justo que ele ser meu guia. Claro que isso só serve se o cachorro não for um trator, que te arrasta para onde quiser. Muitas vezes o Bud opta por um lado ou outro simplesmente porque sente que algum amigo passou naquele caminho, ou sabe que indo na direção da vídeo locadora ele vai ganhar carinho dos amigos que trabalham lá. Ultimamente ele tem me pedido para atravessar a rua, e percebi que ele gosta de marcar o outro lado porque tem alguns cães que ele não gosta muito. Achei muito engraçado, então qual o problema de aceitar a solicitação dele? Ah, claro, você quer saber como ele me pede para atravessar. É o seguinte, a guia dele tem 1 metro e meio, e como ele é um cara bacana eu deixo bem solto, a não ser que venha outro cachorro ou gente que eu percebo que tem medo. Aí ele vai, faz o xixizinho, caminha. Vai até o meio fio, olha pra mim e espera que eu chegue ao seu lado. Então eu pergunto o que ele quer, e ele olha pro outro lado e espera o comando de liberar para atravessar a rua. Fala sério, é ou não é esperto esse meu cachorro? Desde pequeno acostumei-o à pergunta: “O que você quer?” e quando ele olhava para a coisa ele ganhava. Então ele aprendeu que a resposta estava na ponta do focinho dele.

Num sábado ensolarado estava com o Bud caminhando na Rua Oscar Freire. É uma rua muito gostosa de caminhar, onde tem muitas lojas – e na maioria delas o Bud, assim como qualquer cachorro, é bem-vindo – tem muita gente caminhando, cafés e sorveterias com mesas fora, turistas, várias coisas para ver e conhecer. Enfim, caminhamos por uma quadra e havia um casal jovem logo atrás de mim. O Bud havia tomado banho e estava realmente bonito. Apesar de ele ser branco e preto bem definido no corpo, suas patas são pintadas e têm franjas longas, e todos que o conhecem acham isso o grande charme dele. Enfim, percebi que o casal falava do Bud, de como ele parecia bonzinho, do quanto ele era bonito, e eu resolvi me virar para ter certeza e ver melhor. O casal era tímido, mas eles estavam realmente falando do Bud. Aí eu parei, e eles pararam também e continuaram olhando pro Bud. Fiquei meio sem saber o que fazer, até que a garota veio falar comigo, perguntando se podia tocar nele. Falei que sim, claro, que o Bud adora carinho, é super simpático e jorrei todas as qualidades dele, como sempre faço quando alguém quer conhecê-lo na rua. Acho isso importante porque, sempre logo em seguida à descoberta que o pelo do Bud é delicioso, vem a pergunta: -Qual a raça dele?
E eu, orgulhosa:
– Um legítimo vira-lata.
Aí o casal se abaixou e ficou brincando com o Bud, elogiando a pelagem dele, que é super macia, e ficaram muito felizes. Quando eles se levantaram comentaram comigo que adoram cães, mas que nos últimos tempos eles começaram a ter vergonha de parar os donos, pois a maioria não deixava eles mexerem nos cães. Eu fiquei surpresa, e aquilo ficou na minha cabeça e comecei a observar. E não é que eles tinham razão? Alguns dias depois um garotinho me falou a mesma coisa enquanto fazia carinho no Bud, a ponto da mãe pedir que ele não mexesse mais nos cães na rua.

Puxa vida!! Sei que hoje as pessoas estão mais desconfiadas, mais fechadas a novas relações de amizade, com mais medo de coisas novas, mas é tão gostoso quando alguém quer conhecer nosso cachorro, e o cão fica tão feliz de receber carinho, e a pessoa também fica feliz de acariciar um animal na rua, e a gente – o dono – acaba ficando mais feliz ainda e orgulhoso do nosso animal. Isso cria um círculo vicioso do bem.

Aí um dia resolvi ir ao Parque Ibirapuera com o Bud para averiguar a situação. Quando ele era filhotão íamos todos os dias. Ele brincava muito, sempre conhecíamos pessoas novas com seus cães e passávamos a andar juntos, e isso era muito legal. Mas infelizmente vi que era verdade. As pessoas hoje, inclusive no parque, não admitiam que eu brincasse com algum cachorro, e nem deixavam o Bud brincar. Aí finalmente encontrei uma amiga com a Labrador fêmea dela, e eles brincaram durante um bom tempo no gramado, sob os olhares desconfiados dos transeuntes. Como ambos os cães agora estão mais velhos, nem ficamos muito tempo, mas tempo suficiente para ver pessoas passando com os animais e se afastando ao verem o Bud e a amiga brincando soltos.

Boa parte dessas pessoas estava lá no parque para se exercitar. Nesse caso pense se vale a pena levar o cachorro junto. Vi muitos cães amarrados enquanto os donos faziam flexões, alongamentos e exercícios no local. Quando eu passava com o Bud os cães normalmente tentavam de desvencilhar da coleira para brincar. Com alguns até consegui, mas a maioria dos donos estava lá realmente para se exercitar, e fazia cara feia quando o Bud brincava com o cachorro dele. Então peço que as pessoas tenham bom senso, ou vão se exercitar ou vão passear com o cachorro. Sei que o problema é tempo, as pessoas economizam tempo fazendo exercício e levando o cachorro ao mesmo tempo, mas entre deixar seu cachorro amarrado ao sol enquanto você se exercita, ou deixá-lo em casa confortável e, quando você terminar de se exercitar, buscá-lo para uma voltinha rápida no quarteirão, fique com a segunda opção.

E mais uma coisa, eu sou do tempo em que todos brincavam com cães na rua. Eu era pequena e pegava os cachorros da vizinhança para brincar, era muito gostoso. Os cães ficavam cansados, os donos mais tranquilos e ninguém fazia cara feia. Vamos deixar nossos cães conhecerem pessoas novas. É tão legal…

Sempre que eu saio a pé levo o Bud. Aliás, só saio a pé com ele. Essa é mais uma coisa a favor dos cachorros. Antes dele eu só andava de carro, preguiça pura, chegava ao absurdo de ir numa farmácia ou padaria mais longe só para ter a desculpa de ir de carro. Depois do Bud a coisa mudou, fazíamos caminhadas longas e gostosas, hoje caminhamos menos, pois por causa da dor que ele sente na coluna o veterinário pediu para diminuir, mas pelo menos 4 vezes por dia a gente desce para uma voltinha bem pequena, só para ele fazer xixi e cocô. Aliás, não comentei isso, não é? O Bud só faz as necessidades fora de casa, então chova ou faça sol, estamos na rua algumas vezes durante o dia. O Bud adoraria conhecer você, ele adora ver gente nova fazendo carinho nele, e eu sempre deixo, pois adoro vê-lo feliz.

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