midst of chaos

Rabi Nachum Ish Gamzu, mestre de Rabi Akiva, sempre dizia: Gam zu letova! Também isso é para o bem.

Um fato que diferencia o judaísmo é a inexistência do inferno e a relativa fraqueza do diabo. Este, só com a permissão de D’us pode fazer suas diabruras, como fez ao testar Jó. Ele faz uma aposta com D’us que provaria que Jó só era abnegado e tinha fé porque tinha tudo e tudo lhe era fácil. D’us permitiu o diabo testar até as entranhas de Jó, tirando-lhe todas as suas riquezas, família e saúde, mas Jó não perdeu sua fé em D’us. No fim, derrotado, o diabo se retira e D’us devolve tudo e mais à Jó como prêmio por não ser um joguete reativo da sua realidade.

A ideia é que podemos sempre nos beneficiar dos nossos erros com aprendizagens e perdão. É nossa decisão sair do problema mais fortes e humanos, ou mais vítimas e endurecidos. A busca da redenção em Yom Kippur, o trabalho de encontrar a harmonia entre nós e nossos desafetos, ou se não somos perdoados, a paz interior de ter feito de tudo ao nosso alcance, e estar bem consigo mesmo ainda que em uma situação mal-resolvida, gam zu letova.

Por isso, nossos sábios nos ensinam que não devemos julgar uma situação como boa ou má simplesmente pelo seu resultado imediato prazeiroso ou esperado. Todo evento desencadeia outros, que por sua vez se ramificam, e conseguimos prever ou controlar no máximo até o segundo nível.

Assim, a única maneira de conseguirmos estar bem com os eventos que percebemos acontecendo conosco e com o mundo, é se temos uma crença que norteia todos esses acontecimentos a um resultado que não seja aleatório e que seja positivo. Esse positivo não pode ser simplesmente um final feliz. Até porque sabemos que a felicidade no final nunca é garantida, e a morte sempre nos encontra. Não, nossa ambição deve ser além do resultado contra ou a favor dos nossos desejos.

No livro “Em Busca de um Sentido” de Viktor Frankl, sempre uma história me volta à memória. É a vida e morte de uma garota da alta sociedade. Frankl acompanha suas últimas horas de luta contra o tifo, e não se conforma com o semblante calmo e satisfeito dela. Ele lhe pergunta: “Estás assim porque sabes que teu sofrimento logo acabará?”. Ela responde: “Sabe que eu era a mais linda da minha cidade? Minha única preocupação era qual vestido usar no baile e se o meu carnê de dança estava cheio… Estou feliz hoje pois nessas condições, em Auschwitz, descobri que sou tão mais que apenas isso! Sou generosa, abnegada, forte!”

Ela morreu feliz.

Sim, até mesmo isso, gam zu letová

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