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Desde moleque sou um rebelde por natureza e com um talento inato de seguir sempre pela contramão. Sim, isso já me causou muitos problemas, mas a maioria deles, pq não estava em sintonia com o pensamento da maioria.

Talvez por ter escutado muito, mas muito mesmo, que não devia ser uma “Maria vai com as outras” (coitadas das Marias), e que não devia sofrer a influência do meio, desenvolvi uma habilidade toda especial para ser do contra…kkkk.

É claro que não tinha o discernimento correto de tudo o que fazia, muitas vezes escolhendo fazer cagadas solenes, outras sendo preconceituoso e agindo como um grande babaca, que é o que todos os preconceituoso são, mas sempre com o alarme tocando ao me olhar no espelho e me perguntar se o que estava fazendo era o certo PARA MIM.

Se eu me condenasse, não precisava vir nenhuma autoridade suprema acima, no céu, ou abaixo, na terra. Eu mesmo dava a sentença, que incluía pedir perdão ou, dependendo da gravidade que o caso tinha para mim, prestar ajuda eterna ao injustiçado.

Numa época em que prevalecia o racismo, meus amigos eram pretos (acho horrível essa palavra…acho pior ainda ter que ficar com salamaleques para me referir aos meus amigos “neguinho”, “criôlo”, “nêgo véio”, “preto” e “meia-noite”, quando sei que nunca houve desrespeito quando me chamavam de “rato branco”, “alemão”, “judeu”, “galego”, etc.)

Numa época em que prevalecia a homofobia velada, e o machismo escancarado, onde ser amigo do “viadinho” fazia de vc ficar mal na fita, e ser chamado de “viadinho” também, cansei de sacaneá-los e de defendê-los, sem nunca me preocupar em me auto-afirmar como homem.

Pois bem, ontem, abandonado pela minha gatinha, a Chapéuzinho Vermelho, que morre de medo de mim, porque a sua avó disse que eu sou o Lobo Mau. Só por causa da nossa diferença de idade (no fundo a vovó está muito certa), 25 anos não são 25 dia, decidi sair com “meu namorado” fixo, meu laptop, para ouvir uma boa música, ver as belas dançando e trabalhar, um vício compulsório que me faz produzir textos e viver disso.

Lá pelas tantas, um loiraça MARABIJOÇA, como diria meu amigo Juan Tome Rivero com sua voz grave, aproximou-se com um casal de amigos e um gay e sentaram-se à mesa comigo. Achei o gesto invasivo, mas a loira, de tão linda que era, me manteve calado e sem disposição para reclamar a invasão de território. Na verdade, carente que estava, deixaria ela levantar minha bandeira me conquistando…rsrsrs.

Não é que, estava indo tudo muito bom…é…tudo muito bem, mas realmente….mas realmente…antes que eu dissesse que a preferia nua, dois babacas se aproximaram, deviam ter aproximadamente 20 e poucos anos, tipo skinheads, fortinhos, tatuadinhos, abusadinhos, e começaram a mexer com a loira.

Como eu mesmo não tinha nada com ela, e não estava disposto a disputar ninguém (já cansei disso, agora quero ser disputado), continuei trabalhando. Então, como a loira olhava para mim na esperança de que eu intercedesse, enquanto ela mesma cuidava de dar um “toco” bonito nos garotos, as baterias deles voltaram-se para o gay.

Aí, fodeu!

_ Deixa o cara em paz.
_ Coé tiozinho, vai defender viado? Você é viado também?
_ Sou. Sou viado, judeu e faixa preta de jiu-jitsu. E aí, vai encarar?

A esta altura, o casal de amigos da loira e do gay, que se chupavam ao meu lado, foram se chupar em outro lugar…rsrsrs…o gay, estratégicamente se posicionou atrás de mim…rsrsrs…e a loiraça…bem, a loiraça estava no papo…rsrsrs. Só precisava me manter vivo e inteiro se os garotos decidissem encarar.

Os seguranças, um preto e um branco se aproximaram e perguntaram, se estava tudo bem COMIGO…um privilégio que se conquista, quando se trata todo mundo bem nos locais que se frequenta.

Os rapazes se afastaram, mas não sem antes apontarem os dedos indicadores e médios para os seus olhos e depois para mim, o casal voltou a se chupar ao meu lado, o gay daria a vida por mim…rsrsrs, e a loiraça…ahhh, a loiraça…

Bom dia!!!!!!! Pq o dia começou marabijoçamente bem…kkkk.

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