JUSTOS-CAPA-PRINCESA ALICE

No Museu do Holocausto – Yad Vashem – em Jerusalém, existe uma árvore plantada em homenagem a cada “Justo entre as Nações”, título concedido pelo governo de Israel em reconhecimento a todos os não-judeus que durante a Segunda Guerra Mundial salvaram vidas de judeus da sanha sanguinária do nazismo.

Alice_Battenberg-casamentoVitória Alice Isabel Júlia Maria, esposa do príncipe André da Grécia e Dinamarca e mãe do atual príncipe Filipe, Duque de Edimburgo, esposo da Rainha Elizabeth 2ª é uma Justa entre as Nações.

Alice (1885-1969) era bisneta da rainha Vitória do Reino Unido e cresceu na Alemanha, Inglaterra e no Mediterrâneo.

Sua mãe, também chamada Vitória, Princesa de Hesse e Reno, percebeu que ela demorou muito para aprender a falar e ficou preocupada com sua pronúncia indistinta.

Ela eventualmente foi diagnosticada com surdez congênita. Alice acabou aprendendo a ler lábios e escrever em inglês e alemão com a ajuda da sua mãe. Ela estudou em particular e também aprendeu francês e grego.

Ela se casou em 1903 com o príncipe André da Grécia e Dinamarca tornando-se Princesa André da Grécia e Dinamarca e foi viver na Grécia até ser exilada junto com toda a família real em 1917.

Alice_Battenberg-pobresAnos depois ela voltou à Grécia. Alice ficou na difícil posição durante a Segunda Guerra Mundial por ter um filho (o atual príncipe Filipe) na Marinha Real Britânica e genros lutando no lado alemão

Seu primo o príncipe Vítor de Erbach-Schönberg era o embaixador alemão na Grécia até a ocupação de Atenas em abril de 1941 pelas forças nazistas.

Alice trabalhou para a Cruz Vermelha, ajudando a organizar distribuições de sopa para a população faminta  e organizou abrigos para crianças órfãs e abandonadas e trabalhou como enfermeira em bairros pobres

Alice_Battenberg-libertaçãoCom a queda, em setembro de 1943, do ditador italiano Benito Mussolini aliado de Hitler, o exército alemão ocupou Atenas, onde judeus gregos tinham procurado refúgio. A maioria (aproximadamente sessenta mil de uma população de 75 mil) foram deportados para campos de concentração, com apenas dois mil sobrevivendo.

Alice escondeu a viúva judia Rachel Cohen e dois de seus cinco filhos que procuravam fugir da Gestapo e da deportação, durante esse período.

Haimaki Cohen, marido de Rachel, havia ajudado o rei Jorge I da Grécia em 1913. Em troca, o rei Jorge havia se oferecido para auxiliá-lo em qualquer serviço que pudesse, caso Cohen precisasse algum dia.

Um de seus filhos se lembrou disso durante a ameaça nazista e apelou para Alice, que junto com Helena Vladimirovna eram os únicos membros da família real ainda na Grécia.

Alice_Battenberg-Charles visita túmulo-2Alice honrou a promessa feita por seu sogro e salvou a família Cohen.

 Ao terminar a Segunda Guerra Mundial Alice foi informada que o príncipe André tinha morrido, justamente quando cresciam as esperanças de uma reunião do casal ao final do conflito. Eles não se viam desde 1939.

Para a preocupação das autoridades britânicas, ela insistia em andar pelas ruas distribuindo rações alimentícias para policiais e crianças, quebrando a ordem de toque de recolher.

Quando avisada que poderia ser atingida por uma bala perdida, Alice respondeu dizendo “eles me dizem que você não ouve o tiro que te mata e de qualquer forma eu sou surda. Então, por que me preocupar com isso?”

Alice voltou para o Reino Unido em abril de 1947 para comparecer em novembro ao casamento de seu filho Filipe com a princesa (hoje Rainha) Elizabeth 2ª. Ela fez com que algumas de suas jóias restantes fossem utilizadas no anel de noivado de Elizabeth.

Seu filho, o príncipe Filipe e sua nora a Rainha Elizabeth 2ª a convidaram para morar permanentemente no Palácio de Buckingham.

Alice_Battenberg-igrejaA princesa fundou uma ordem de freiras ortodoxas gregas enfermeiras em janeiro de 1949, a Irmandade Cristã de Marta e Maria, e até sua morte era algumas vezes chamada de “Madre Superiora Alice Isabel”, e estabeleceu a sede da ordem em um lugarejo ao norte de Atenas.

Ela morreu no Palácio de Buckingham no dia 5 de dezembro de 1969. A princesa não deixou nenhuma posse, tendo doado todos os seus pertences.

Seus restos foram inicialmente enterrados na cripta real da Capela de São Jorge, porém antes de morrer Alice tinha expressado seu desejo de ser enterrada na Igreja de Santa Maria Madalena no jardim de Getsêmani localizado no sopé do Monte das Oliveiras em Jerusalém, Israel

Em 31 de outubro de 1994, seus dois filhos ainda vivos Sofia e o príncipe Filipe foram para o Yad Alice_Battenberg-placaVashem  (Memorial do Holocausto) em Jerusalém para testemunhar uma cerimônia honrando sua mãe como Justa entre as Nações por seus esforços ao esconder a família Cohen em Atenas durante a Segunda Guerra Mundial.

A princesa foi postumamente honrada também em 2010 pelo governo britânico ao ser nomeada uma Heroína do Holocausto.

O príncipe Filipe comentou sobre as ações de Alice: “Acredito que ela nunca pensou que suas ações eram de alguma forma especiais. Era uma pessoa de profunda fé religiosa, e ela teria considerado uma reação humana perfeitamente natural para um igual em perigo”.

 

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