Vamos iniciar nossa viagem ao Oriente através da vida de um grande Tzadik ( Justo) de nosso povo que viveu até os anos 80 em Israel, Rabi ISRAEL ABUHHATZIRA, ZTK”L, de abençoada memória, chamado por todos como ”Baba Sali”. Considerado como ” Rebe do Oriente”, reavivou a chama do Judaísmo marroquino e francês, trazendo milhares de judeus ás suas raízes. Quem nunca ouviu falar do famoso ‘‘Baba Sali”? Mas vocês sabem o porque deste apelido? Qual origem do sobrenome de sua família? Veremos histórias lindas e miraculosas sobre este Tzadik e sua família que envolvem até tapete voador e pasmem: uma sinagoga ”mal assombrada”!!!

Bem vindos ao mundo dos Grandes Sábios de nosso povo que nos encheram e ainda enchem-nos com inspiração e bênçãos!

Origens da família do Tzadik:

A história e origem da família do Baba Sali não começa no Marrocos, mas no outro lado do Mediterrâneo, no interior da Síria. Na antiga cidade de Jobar, subúrbio de Damasco, ( hoje em dia totalmente arrasada pelo conflito sírio). Conta-nos o famoso Rabi Chaim Iossef David Azulay (nascido em Jerusalém em 1724 e falecido em Livorno,Itália em 1806),apelidado CHIDÁ, ZTK”L, de abençoada memória, que conheceu um Rabi chamado Shemuel, o ”Abu Chatzira”, um homem santo e dedicado ao estudo da Torá e à prática de certo ascetismo, que recebeu este apelido por seu apego à ‘Chatzira’: nome árabe de um pequeno tapete de juta, sobre o qual sentava-se em sua entrega ao trabalho espiritual. Rabi CHIDÁ relata: ”Tive a oportunidade de ler vários livros sobre ele, como também de testemunhar seus maravilhosos milagres que salvaram muitas pessoas da comunidade nos momentos mais críticos.”

De acordo com o Rabi CHIDÁ, este Rabi Shemuel  que vivia na cidade de Jobar, perto de Damasco, capital da Síria, na mesma época dele, foi designado pela comunidade local para angariar fundos de Tzadaká  no exterior para sustento da comunidade, que vivia em grande pobreza e restrições impostas pelos árabes. Naquela época os judeus mais favorecidos viviam na Turquia, Império Otamano, ajudavam com grandes somas de dinheiro para sustento de seus irmão judeus no resto do Oriente. Nosso grande Sábio, Rabi Shemuel, não tinha recursos suficientes sequer para pagar sua viagem á Izmir, o que impediria seu embarque. Então, quando o navio partiu do porto de Latakia rumo Turquia, ele estendeu seu tapete de juta (”Chatzira” em árabe) sobre as água do mar, sentou-se sobre ele, com sua mão direita estendida em direção ao barco á sua frente foi ”flutuando” até a Turquia, onde cumpriu sua missão e voltou para Síria da mesma maneira milagrosa. Logo sua fama de santo milagreiro espalhou-se no Oriente e todos o chamaram de ”Abu Chatzira” ( o dono da Chatzira).

Este santo Rabi está enterrado em Jobar, no qual multidões de judeus e até muçulmanos e alguns cristãos costumavam ir rezar no seu túmulo para pedirem bênçãos desde o além.

Logo depois do passamento dele, sua família resolveu deixar Jobar rumo ao oeste do Mediterrâneo, para a pequena cidade de Tafilalet, a ”cidade das mil tamareiras”, no Marrocos. Assim o fizeram para que seus descendentes se dedicassem ao modo de vida simples, ao estudo profundo de Torá e ás práticas ascéticas, longe do tumulto das grandes cidades, que herdaram do santo Rabi Shemuel Abuchatzira. Assim foi plantada no Marrocos a linda árvore genealógica de nosso grande Rabi Israel Abuchatzira, o Baba Sali.

No dia de Rosh Hashaná de 5650 (1890), a cidade de Tafilalet festejava com grande júbilo e alegria o nascimento do pequeno Israel, futura Luz de nosso povo. A mãe do bebê, ocupou-se pessoalmente da criação de menino, não deixava ninguém tocá-lo, por receio de ”áin har’á” ( mal olhado), esmerou-se  em cuidar da saúde física e espiritual de seu pequeno Israel, nunca permitindo que ele tivesse contato com impurezas físicas e espirituais. Foi assim que ele foi crescendo com avidez física e espiritual extraordinária, tão logo começou a falar, aprendeu a ler e escrever no idioma sagrado. Seu afastamento do convívio do trivial, o ajudou a desenvolver concentração e a memorização de textos sagrados. Na sua casa paterna, funcionava a Yeshivá ( academia de estudos rabínicos) da pequena comunidade. Ali os alunos de seu pai e avô, o santo Rabi Massud e Rabi Yaakov, de abençoada memória, dormiam e se alimentavam. Neste pequeno oásis  físico e espiritual, nosso pequeno Tzadik cresceu como a tamareira…

Formação espiritual  e juventude do Tzadik:

O jovem Israel recebeu de seu avô, Rabi Yaakov Abuchatzira ZTK”L e de seu pai Rabi Massud toda a sabedoria e preparo. Aprendeu vários princípios para manter-se elevado espiritualmente: o primeiro era o da constância no estudo de Torá, herdado de seu pai, avô e tri-avô, Rabi Shemuel. O segundo era a moderação no campo material: apesar de sua família ser a dirigente da comunidade, viviam em extrema modéstia, sem luxo algum, se contentavam com aquilo que era estritamente necessário para manterem seus corpos  com saúde e abominavam o supérfluo, seja comida e bebida, vestimentas caras… Outro princípio básico: zelar pela pureza das suas palavras e de seus ouvidos. Nunca falou e escutou palavras fúteis. E o maior princípio ascético que herdou de seus antepassados: da pureza dos olhos, ele observava como seu pai cuidava dos olhos, baixando um capuz sobre sua face quando andava pelas ruas, para evitar contato com quaisquer impurezas, físicas ou espirituais. Deste modo, iniciou sua elevação intelectual e espiritual.

Já na adolescência, as pessoas já reparavam sua grandeza, pediam bênçãos  e que ele rezasse por elas. Seus familiares, os tios e primos, grandes Sábios, já sabiam que suas rezas tinham um efeitos tremendos, ora ocultos ora revelados. Foi assim que por trás de seu pai, ele tornou-se ainda aos 14 anos, um ímã de bênçãos e de pronto atendimento espiritual. Sua fama de que suas rezas sempre eram atendidas atraiu multidões de judeus do Marrocos e depois de todo o Norte da África! Assim foi apelidado de ”Baba Sali”, que em árabe significa ”Pai da Reza”, título este tão popular que se transformou em seu próprio nome!

Maturidade como chefe da comunidade Marroquina:

Baba Sali perdeu seu pai ainda muito jovem, logo pediram-lhe que assumisse o cargo de Chefe da Yeshivá da cidade, que seu pai dirigia. Ele á principio negou-se, por humildade, mas teve que ceder diante de muita persistência e aceitou a tarefa de conduzir a comunidade como Rabino chefe.

Aí ele começou revelar sua grandeza e erudição em todos assuntos de Torá. Ele pedia que seus alunos NÃO tomassem notas das aulas por ele ministradas, porque não queria receber honrarias por sua erudição de forma alguma., ele temia a armadilha do orgulho que espreitava a todos. Assim, ele nunca quis publicar seus comentários sobre Torá, Talmud, Halachá  e Kabalá. Certa aula, que era sobre temas complexos de Talmud, reforçou o pedido para seus alunos só ouvirem, não anotarem nada da aula. Mas um dos alunos não resistiu à tentação de escrever tais comentários do seu Mestre: ao final da aula repassou-os com seus colegas até decorá-los, pegou a pena para começar á escrever, na hora esqueceu absolutamente de tudo que aprendeu, como que por mágica!!! Fazia esforços e nada, esqueceu tudo, esforçava-se em vão para lembrar. Quando nosso Tzadik Baba Sali, que por inspiração divina já sabia o que houve, voltou para outra aula, o aconselhou de modo paterno dizendo: ”Se quer lembrar das minhas lições, não tente escrevê-las, senão as esquecerá na hora.”

Sua primeira visita á Terra de Israel: sua fama se espalha pelo Oriente.

Era 1921, aos trinta anos, depois deu ma longa viagem, realiza seu sonho de pisar na Terra Santa. Sua fama de santo milagreiro já o precedia como pólvora. Chegou na Santa Cidade de Jerusalém onde foi recebido pelos mais importantes sábios, diretores das ”Yeshivot” e cabalistas honrados. Todos vinham ver o jovem prodígio vindo do Magreb que tinha o poder de dar bênçãos e cujas rezas eram prontamente atendidas pelos Céus. Quando saiu de Jerusalém, foi ao Norte, Galiléia, visitar nas santas cidades de Meron, Tzfat e Tivéria os túmulos dos Tzadikim do passado. Lá em Tzfat algo inusitado aconteceu: Ele pediu ao santo Rabi Alfandari, de abençoada memória, permissão para visitar a então fechada Sinagoga do santo mestre  Rabi Itzhak Luria ZTK”L, o ARIZAL ( 1534-1572), considerado como percursor da Cabalá na Idade Média ( falaremos dele noutra oportunidade). Logo veio o espanto: Fazia muitos anos que ela fora fechada, pois todos os peregrinos que entravam nela, morriam subitamente lá dentro, dizia-se que um espírito a assombrava fazia décadas. O secretário do Baba Sali, Rabino Moshe Chitrit, obedecendo seu mestre, pediu as chaves da sinagoga para o zelador, ao que este recusou-se veementemente á dá-las. Argumentou que eram até mesmo complicado retirar os defuntos do interior! mas o zelador acabou cedendo ao pedido insistente do secretário do Baba Sali, pois sabia que este não poderia desobedecer tal ordem. Entregou-lhes as chaves, mas amarradas numa longa corda, para que as pudesse recupera-las tão logo. O zelador tinha certeza de que nosso Mestre não sairia vivo do interior da Sinagoga, por isso o aconselhou amarrar na cintura uma corda para que caso ele morresse lá dentro, o zelador pudesse puxar seu corpo para fora!!! Rabi Baba Sali confiante foi antes ao Mikvê que era usada pelo ARIZAL, purificou-se lá. Depois seguiu rumo interior da sinagoga, logo atrás ia seu secretário, segurando por ordem dele a barra de seu capuz e o zelador segurando este pelo paletó. Entraram pelo pátio, viraram á direita onde fica a entrada da Sinagoga, o secretário e zelador meio temerosos pelo desconhecido. Assim que nosso Mestre Baba Sali entrou na sinagoga, uma luz brilhou no interior, como se fosse meio dia, apesar de ser início de noite! Ele foi de forma respeitosa á á Arca Sagrada, o Hechal, moveu a cortina antiga, abriu um Sêfer Torá, o leu durante alguns minutos. Tão logo Baba Sali com o rosto alegre fala para os dois: ”Agora podem largar minha roupa!” Eles atônitos e felizes, obedeceram confiantes, sentaram-se num banco e depois dos três terem rezado ”Minchá” e ”Arvit”, saíram da sinagoga, sãos e salvos!!! O guardião zelador, tomado de alegria, beijou nosso Mestre e incapaz de expressar sua emoção, espalhou logo o milagre de Baba Sali realizado na Sinagoga do ARIZAL!!! Tal fato espalhou-se na Terra Santa inteira, e todos puderam depois de décadas, visitar e rezar tranquilamente na Sinagoga antiga do ARIZAL!

Nosso Mestre assim abriu o caminho!

Espero que tenham gostado da introdução que fiz sobre este grande Tzadik do nosso povo, cujos méritos nos protegem até hoje!

Vamos sempre relatar seus milagres por aqui, este só foi o primeiro, ok?

Diogo

 

 

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