Vamos hoje para a antiga Babilônia, atual Iraque, para onde nosso Povo foi exilado no ano 586 AEC, quando o Primeiro Templo de Jerusalém foi arrasado pelas forças do Inperador Nevuchadnetzar ( Nabucodonosor), desde então o Povo de Israel fixou-se ali, ”aos rios da Babilônia nos assentamos e choramos…” desenvolvendo-se e crescendo em Torá, ao ponto que mesmo depois do Exílio e a consequente volta de parte do povo para reconstruir a Terra Santa e o Templo Sagrado, a comunidade Babilônica ( Bavli em hebraico) tornou-se a mais importante do mundo, em número e em erudição, lá se desenvolve a ápice da Tradição: a Torá oral é compilada e vira o Talmud, a maior enciclopédia que o mundo já viu! Na Babilônia já islamizada desde o ano 622 pelos árabes conquistadores, é que nasce o nosso Tzadik,que nasceu, num período crítico e literalmente salvou a Tradição da Torá da destruição.

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Seu pai, Rabi Yossef, era um homem instruído e ele foi o primeiro professor de Saadia. Saadia tinha excelentes qualidades e era um estudante brilhante. Antes de atingir a idade de vinte anos, ele já escreveu seu primeiro trabalho, o Agron, o primeiro dicionário e gramática hebraica. Foi uma grande ajuda para os poetas e escritores hebreus de poemas sagrados. O famoso poeta e comentarista da Torá , Rabi Abraham Ibn Ezra A”H , que viveu cerca de duzentos anos depois, elogiou muito este trabalho e considerou seu autor como a primeira autoridade em hebraico.

SAADIA, O MAIOR ”GAON”:

A Babilônia foi o foco principal da erudição judaica por muitos séculos. Desde o término da compilação do Talmud, por volta do ano 500 EC, os chefes das academias babilônicas de Sura e Pumbetida eram chamados de ”Gênio” –  Gaon (plural: Gueonim) e eram reconhecidos como os eruditos mais proeminentes do mundo hebraico de sua época. Nos dias de Rabi Saadia, ele procurou reconciliar a perspectiva filosófica vigente ( aristotélica sob visão islâmica), á qual os judeus que viviam nos países dominados pelo Islã, com a Sagrada Torá.

Grande parte da filosofia islâmica daquela época estava fundamentada no pensamento de Aristóteles e Platão, Saadia escreveu muito a respeito. Seu livro mais famoso ”Ha Emunot veHa De’ot” (A Fé e as Crenças) foi originalmente escrito em árabe, mais tarde foi traduzido para o idioma sagrado (Hebraico) pela família Ibn Tibon.

Neste livro, Rabi Saadia tenta reconciliar o pensamento Judaico da Torá com os de Aristóteles e Platão, seu objetivo é trazer os judeus assimilados de volta à Verdade sagrada da Torá e à prática da Halachá. Rabi Saadia demonstra que os ensinamentos da Sagrada Torá resistirão ao teste da investigação lógica. ele oferece provas incontestáveis que o Universo foi criado ”exnihilo” – do nada, que a Sagrada Torá foi dada ao Povo Judeu na íntegra por D’us no Monte Sinai – e não foi escrita ao longo dos séculos, como alegam os hereges, e que o Homem tem a liberdade de escolher entre o Bem e o Mal e recebe a Recompensa e Retribuição com conformidade aos seus atos.

Além disso, Rabi Saadia escreveu a primeira tradução árabe do Tanach, que inclui comentários e notas gramaticais. ele também escreveu o primeiro Dicionário Hebraico e um livro sobre gramática Hebraica. Os muçulmanos nessa época estavam bastante envolvidos em estudos filosóficos e em Letras, assim Rabi Saadia também desejava que o Povo de Israel tivesse orgulho de sua Litaratura Sagrada e erudição, que vinha desde os Patriarcas até sua época.

O famoso Rabi Moshe Ben Maimon A”H– o RAMBAM– conhecido também como Maimônides (leia sobre ele aqui) falou sobre Rabi Saadia: ”Se não fosse por nosso Mestre Rabi Saadia Gaon, a Torá teria sido esquecida entre o Povo de Israel.”

Entre seus muitos livros, Rabi Saadia também escreveu um comentário detalhado sofre o livro base da Cabalá, cuja autoria pela nossa Tradição é de Avraham Avinu A”H.

 

RABI SAADIA: LIVRE ARBÍTRIO VERSUS PRÉ-DESTINAÇÃO

Rabi Saadia reafirmava o conceito da nossa Sagrada Torá que os seres humanos possuem pleno livre-arbítrio, a capacidade de fazer escolhas sobre seu comportamento. Os filósofos muçulmanos da época promoviam o ”Kallam” – uma linha de pensamento que nega a existência do livre-arbítrio e a causalidade de eventos no Universo, atribuindo tudo cmo pré-determinado pela vontade de D’us ( o famoso ”Maktub”- ‘está escrito’). Rabi Saadia discorda veementemente deste conceito contrário a Torá, por inúmeros motivos, assim refuta os filósofos islâmicos com argumentos racionais e filosóficos, entre eles:

  1. Se D’us pré determinou todas as causas no Universo, então não há diferença entre os Justos e os pecadores, pois se todos cumprem estritamente o que foi pré determinado pelo Criador em tudo, todos então cumprem a vontade Dele, assim sendo, teremos que admitir que não há diferença alguma entre um ato bom e mau, portanto, segundo o ”Maktub” o mau cumpre exatamente a vontade do Criador, assim com o bom.
  2. Se tudo é totalmente pré determinado como alega o conceito de Kallam, o comportamento dos seres humanos é pré determinado pela Causa Absulta, D’us – não importa se tais comportamentos sejam bons ou maus – todos cumprem Sua vontade e não há como modificar. Daí surge um grave problema: então não faz sentido algum punir alguém que infrige a Lei, já que ela simplesmente foi criada pré determinada para aquilo, ela está apenas fazendo a vontade do Criador!
  3. Finalmente, a mais importante refutação sob o ponto de vista judaico: se o Universo fosse regido unicamente pela pré-destinação do Criador, a Torá com seus Mandamentos – que é o ”manual de instruções” do Ser Humano – não teria propósito ou significado algum, uma vez que as pessoas seriam incapazes de ”obedecer” ou ”desobedecer”! Só pode haver Mandamentos – com sua recompensa pelo cumprimento ou castigo pelo descumprimento -se o ser humano for capaz de aceitar o jugo do Reino Divino e dos Mandamentos – ”Kabalat Ol Malchut Shamaim ve Mitzvot” 

Em um esforço para enfatizar o papel do livre-arbítrio no pensamento judaico, Rabi Saadia dava grande ênfase ao ”Maamad Har Sinai” – ao episódio do Recebimento da Torá no Monte Sinai, no qual o Povo de Israel de livre-arbítrio aceita o jugo dos Mandamentos.

 

RABI SAADIA CONTRA A HERESIA DOS ”CARAÍTAS” :

O Rabi Saadia ficou ainda mais famoso quando começou seus escritos contra os ”caraítas”. Os caraítas ou ”Karaim” em hebraico, eram uma seita de judeus que surgiu muitos anos antes de Saadia. Basicamente negavam toda a a autoridade do Talmud , acreditando apenas no TaNaCh , tornou-se muito forte e influente no tempo de Saadia, especialmente no Egito.

O fundador da seita era Anan ben David (seu nome seja apagado) , membro da família principesca do Resh Galuta (“Chefe do Exílio” ou “Exilarca”). Quem viveu na Babilônia cerca de 130 anos antes de Saadia nascer. Quando o tio de Anan, o Resh Galuta, morreu sem filhos, Anan foi o próximo na fila a herdar a alta posição. Mas como ele não era tão piedoso e temente a D’us quanto a posição exigia, os Gaonim (líderes da grande Yeshivot de Sura e Pumbadita) e a maioria dos judeus na Babilônia, se recusaram a reconhecê-lo como seu líder, e elegeram um herdeiro mais jovem, o Rabi Shlomo ben Hasdai ZTZK”L, em seu lugar. Anan então se rebelou contra a autoridade dos Gaonim e da tradição judaica como ensinado e transmitido pelos Sábios da Mishná e do Talmud. Ele então fundou uma seita de judeus que aceitou apenas a Lei Escrita, a das Sagradas Escrituras (Mikrá) que ele então daria sua livre interpretação ao seu bel prazer. Em muitos aspectos, eles eram seguidores da extinta seita dos Tzedokim ( Saduceus) que viveram no período anterior à destruição do Segundo Beth Hamikdash . Anan ben David começou a interpretar a Torá a seu modo e rompeu completamente com a tradição judaica, colocando assim a si mesmo e seus seguidores fora da congregação judaica. Além disso, ele continuou uma amarga luta contra os sábios e rabinos, tentando minar sua autoridade.

Com a disseminação da nova religião fundada por Maomé e o surgimento de várias seitas entre os muçulmanos, a seita caraíta ganhou força. Muitos judeus ricos, influenciados pela nova cultura árabe, tornaram-se cada vez mais influenciados pelos caraítas. Como os judeus verdadeiros e fiéis não teriam nada a ver com eles, os caraítas ”reformaram” (esta palavra ‘Reforma’ nos é muito presente hoje, infelizmente) o judaísmo à conveniências da sociedade islâmica da época: organizavam suas próprias comunidades e estabeleciam uma “tradição” própria. Durante o tempo de Saadia eles se tornaram bastante numerosos e influentes. Ainda jovem, Rabi Saadia pegou os cacetetes contra eles. Seus argumentos eruditos e lógicos contra as crenças e costumes dos caraítas desferiram um sério golpe em seu prestígio. Foi necessária muita coragem por parte do jovem Rav Saadia – ele mal tinha vinte e três anos quando declarou “guerra” contra os poderosos caraítas. De fato, os escritos de Saadia que provaram a falsidade de toda a doutrina caraíta, tiveram um tremendo impacto, e muitos caraítas ou pretensos caraítas começaram a ver a luz. Os líderes dos caraítas, vendo que não podiam derrotar o jovem estudioso em uma batalha de inteligência e erudição, começaram a persegui-lo por hostilidade aberta. Caraitas fanáticos invadiram sua casa, saquearam e destruíram seus escritos e livros. A própria vida do Rabi Saadia estava em perigo, e ele não podia mais permanecer em sua terra natal. Rabi Saadia deixou o Egito e foi para a Terra Santa, dali ele continuou sua luta implacável contra os caraítas.

CoverFoi então neste contexto que Rabi Saadia começou a traduzir e comentar a Torá – chamada de ”Tafsir” em árabe, que era a língua falada pela maioria dos judeus nas terras árabes. Até hoje, sua tradução é a única corrente em árabe entre os judeus orientais e Sefaradim. Em todos os seus livros e escritos, ele se esforçou para fortalecer os fundamentos da religião e tradição judaica.

RABI SAADIA SALVA A FIXAÇÃO DO CALENDÁRIO HEBRAICO:

Enquanto o Rabi Saadia vivia na Terra Santa, surgiu outra crise que ameaçava dividir a comunidade judaica. Desta vez não foi um caso de ataque externo, mas algo que veio de dentro.

Aconteceu quando o Rabi Aaron ben Meir, o principal estudioso do TalmudRosh Yeshivá ( líder das Yeshivot) na Terra Santa, e um descendente da família principesca que liderou o povo judeu na Terra Santa por muitas gerações, decidiu recuperar a liderança que havia passado adiante para a comunidade judaica da Babilônia. Aconteceu de ser uma época em que a comunidade judaica na Babilônia, especialmente a de Sura, havia sofrido uma séria recaída. Houve uma disputa entre o Resh Galuta  Rabi David ben Zakkai A”H e os principais estudiosos do Talmud, quanto à nomeação do Rosh Yeshivá – em Pumbadita. A grande Yeshivá em Sura diminuiu, e o restante estava prestes a ser transferido para Pumbadita, que se tornou o centro da vida e da aprendizagem judaica.

Ben Meir aproveitou o problema na Babilônia e decidiu se declarar a principal autoridade. A questão era a fixação do calendário judaico, que era determinado pelos sábios babilônicos desde Hillel HaZaken A”H, este por sua vez manteve o calendário como recebeu do Sanedrin ( o Supremo Tribunal Judaico estabelecido em Jerusalém pela Torá desde Moshe Rabenu A”H) e aceito por todos os judeus em todos os lugares do mundo. Ben Meir fez seus próprios cálculos e desejou que fosse aceito pelos judeus. Havia o perigo de alguns judeus seguirem um calendário e outros, de alguns judeus observando o festival em certas datas, e outros um dia depois. É fácil imaginar a confusão que isso teria causado.

Rabi Saadia estava em uma visita a  Halab (Alepo) na época. Ele era uma grande autoridade na questão da fixação do calendário judaico, tendo debatido a questão com os caraítas, e sendo também versado em astronomia. Rabi Saadia comunicou-se com  Aaron ben Meir e apontou para ele seu erro de cálculo, mantendo os cálculos dos rabinos da Babilônia. Ao mesmo tempo, o Rabi Saadia começou a receber indagações de várias comunidades judaicas que haviam sido confundidas pela disputa. Ele respondeu a cada pergunta tão clara e convincentemente que a autoridade dos rabinos babilônicos foi completamente restaurada. Quando Ben Meir se recusou a ceder, ficou sem seguidores e a disputa foi resolvida graças à intervenção do Rabi Saadia.

RABI SAADIA SE TORNA ”GAON”:

ejud_0002_0001_0_img0015A disputa com Ben Meir teve um bom efeito. Ela uniu as autoridades rabínicas da Babilônia em seu esforço para manter a autoridade central do Rabinato Babilônico e da centralidade da erudição da Torá na época. O Rabi Saadia era agora mais famoso do que nunca, e ele foi considerado como um candidato para se tornar o Cabeça ( Gaon ) da grande Yeshivá de Sura. Esta foi uma honra muito distinta a ser concedida a alguém que não era ele mesmo um discípulo daquela Yeshivá. Mas o Resh Galuta, Rabi David Ben Zakkai A”H, era muito a favor dele. Para ter certeza, o Resh Galuta ofereceu o posto ao Rabi Nissim Nehorai A”H, um dos sábios mais antigos da Babilônia, que era muito respeitado por seu aprendizado, piedade e bom caráter. Mas o Rabi Nissim era cego e recusou a honra. “O Rosh Yeshivá tem que ser a luz do mundo judaico, e não é certo que a posição seja mantida por alguém que perdeu a luz dos seus olhos”, disse ele.

Então o Resh Galuta pediu sua opinião sobre a candidatura do Rabi Saadia. O Rabi Nissim conhecia bem o Resh Galuta, como um homem de caráter forte, obstinado e inflexível, muito consciente de sua posição e ascendência principesca – a maioria dos Resh Galuta descandiam da Casa Real de David Hamelech A”H, que foram exiladas para Babilônia desde o Exílio em 586 AEC, quando o Primeiro Beth Hamikdash foi queimado). Por outro lado, o velho Rabi também sabia que Rav Saadia era uma pessoa de vontade igualmente forte, que zelosamente guardava a honra da Torá e não cedia ao aspectos políticos concernentes ao cargo de Resh Galuta. Portanto, ele ofereceu seu conselho com franqueza e sinceridade. Ele disse ao Resh Galuta que, no que diz respeito a erudição e piedade, não havia ninguém maior que o Rabi Saadia. No entanto, ele o avisou que não poderia impor sua vontade e influência sobre ele.

No entanto, o Resh Galuta decidiu que seria melhor para ele ver o Rabi Saadia ocupar a cadeira do Gaon de Sura. Ele achava que o Rabi Saadia se renderia a ele, já que ele seria um recém-chegado ao país, sem amigos influentes e conexões nos círculos locais.Certamente o jovem Gaon ficaria grato a ele pela nomeação!

Assim, o Rabi Saadia, que havia retornado ao Egito, recebeu um convite para se tornar o Gaon de Sura, o qual ele aceitou. Isso foi no ano de 4687, quando Rabi Saadia tinha apenas 45 anos de idade.

A Yeshivá de Sura começou a crescer e florescer novamente sob a liderança de Rav Saadia Gaon. Muitos eram os jovens eruditos atraídos por essa famosa Yeshivá, chefiada por um homem tão famoso.

O EMBATE PELA JUSTICA ENTRE RABI SAADIA E O RESH GALUTA DA ÉPOCA:

Em pouco tempo, no entanto, a previsão de Rav Nissim se tornou realidade. Apenas dois anos após a eleição de Saadia como Gaon de Sura, um sério conflito surgiu entre ele e o Resh Galuta. As circunstâncias foram as seguintes:

Uma disputa se desenvolveu entre os herdeiros de uma grande fortuna concernente à vontade de seu pai. A solução do caso forneceria um benefício substancial também para o Resh Galuta. As partes na disputa vieram diante do Resh Galuta para arbitragem. Sendo ele mesmo um beneficiário, o Resh Galutha deveria ter se esquivado de julgar tal ação, pois era amigo e receberia uma boa quantia de um dos envolvidos, mas ele não o fez.

Era costume que tais veredictos exigissem as assinaturas dos dois Gaonim para torná-lo final. O Resh Galuta enviou seu filho para Rabi Saadia assinar a sentença proferida.  Rabi Saadia por sua vez ,enviou-o antes  ao Gaon de Pumbaditha, Rabi  Kohen Tzedek A”H. O último assinou, mas quando o jovem príncipe retornou ao Rabi Saadia e pressionou-o por sua assinatura, o Gaon de Sura lhe disse: “Diga a seu pai que a Torá ordena:’Você não deve beneficiar nenhuma das partes em julgamento’.”   O jovem príncipe ergueu a mão furiosamente contra o Gaon, e os servos do Gaon jogaram o príncipe para fora da casa.

Aborrecido pela ação de Rav Saadia, o Resh Galuta removeu Rabi Saadia do cargo de Gaon de Sura, e em seu lugar nomeou um jovem erudito, Rabi Yossef ben Yacob. O Resh Galuta fez de tudo para dificultar a vida de Rabi Saadia. Por sua vez, Rabi Saadia declarou que o Resh Galuta atual não era mais adequado para seu posto, e nomeou um jovem irmão de Rabi David ben Zakkai, Rabi Yoshiahu Hassan A”H, como legítimo Resh Galuta. Nesta amarga luta, Rabi Saadia teve o apoio da maioria dos estudiosos e da comunidade em geral. Mas o destituído Resh Galuta poderia influenciar a corte do Califa a seu favor. Como resultado, Rav Saadia foi obrigado a deixar Sura.

RABI SAADIA ILUMINA O MUNDO COM O ” HAEMUNOT VEHA DEOT”:

Rav Saadia se estabeleceu em Bagdá. Nos quatro ou cinco anos seguintes, sua vida pessoal foi difícil, embora ele fosse apoiado por seus muitos amigos. No entanto, estando livre de seus múltiplos deveres como Gaon de Sura, ele foi capaz de dedicar mais tempo à sua obra literária, em defesa da fé judaica contra ataques e perigos de vários quadrantes. Foi neste período então que escreveu o  ”Emunot v’Deot” (“Crenças e Opiniões”). Ele escreveu em árabe, de modo que chegasse aos judeus “cultos” e talvez também ao mundo não-judeu. Ele estava particularmente ansioso para ajudar aqueles judeus, que, sob a influência da cultura árabe, haviam caído em confusão, dúvidas e erros sobre sua própria fé.

“Dói meu coração ver muitos judeus engolfados em oceanos de dúvida e lutando nas águas furiosas do erro; e não há mergulhadores para ajudá-los a sair de suas profundezas, nem um nadador para lhes dar uma mão, e como o Todo Poderoso me ensinou o caminho para ajudá-los, eu considero meu dever estender uma mãozinha a eles …escreve Rav Saadia no prefácio de seu trabalho.

O livro em si é dividido em dez seções, cada uma subdividida em capítulos. Em seu livro, o autor discute os princípios fundamentais de nossa fé e enfatiza os laços estreitos entre o povo judeu e D’us por meio da Torá e seus mandamentos, tanto da Lei Escrita quanto da Lei Oral (a Mishná e Talmud), que formam a própria base da existência do povo judeu como um todo, e dos judeus como indivíduos.

Manuscrito em hebraico do ''Emunot VeDeot''
Manuscrito em hebraico do ”Emunot VeDeot”

O ”Emunoth v’Deoth” de Rabi Saadia teve uma tremenda influência no pensamento judaico até o dia de hoje. Em seu próprio dia este trabalho foi ainda mais importante para refutar as falsas crenças e opiniões que ameaçavam minar a fé judaica pura sob a influência de escritores muçulmanos e cristãos.

Muitas outras obras em quase todos os ramos do conhecimento e da sabedoria lhe renderam o título (conferido a ele pelo grande Rabi Abraham ibn Ezra A”H da Espanha ), “a autoridade principal em todos os campos” (Rosh ha-medabrim b’chol mekom)Infelizmente, muitas de suas obras foram perdidas.

OS SÁBIOS SE RECONCILIAM:

Durante sua estada em Bagdá, e como resultado de seus importantes escritos, o nome de Saadia ficou ainda mais famoso do que antes. Durante todo esse tempo, seus amigos tentaram uma reconciliação entre Rabi Saadia e o Resh Galuta. Amigos mútuos finalmente conseguiram trazer Rav Saadia e  Rabi David ben Zakkai juntos, e Saadia mais uma vez assumiu seu posto como o Gaon de Sura. Logo Rabi David ben Zakkai A”H morreu, e Rabi Saadia apoiou o filho dele,  Rabi Yehudá, o próprio príncipe que uma vez levantou a mão contra ele, para suceder seu pai. Mas Rabi  Yehudá também morreu logo depois, deixando para trás um filho muito jovem. Rav Saadia levou o jovem órfão para sua casa e o criou como se fosse seu próprio filho. Ele ensinou-o pessoalmente e preparou-o para a posição distinta de Resh Galuta.

Rabi Saadia viveu e trabalhou em um momento muito crítico na história judaica, quando a unidade e a fé pura do povo judeu foram ameaçadas de dentro e de fora. Sua personalidade e liderança, juntamente com sua brilhante erudição e amor infinito por seu povo, reuniram o povo judeu no espírito da Torá e da tradição.

Rabi Saadia Gaon viveu por 60 anos. Ele morreu no dia 26 de Iyar , no ano 4702 (942 EC). Seus filhos, especialmente Rabi Dossa Gaon A”H, eram grandes estudiosos da Torá que mantiveram a tradição da Erudição de Bavel e guiando o Povo de Israel.

QUE OS MÉRITOS DO SANTO RABI SAADIA GAON ZTZK”L A’H PROTEJAM AO POVO DE ISRAEL DE TODOS MALES, ESPECIALMENTE DAS HERESIAS, AMÉN!!!!

 

 

 

 

 

 

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