Nossas vidas são movidas por escolhas. Desde a roupa com a qual sair para uma balada até a carreira profissional que desejamos para nossas vidas. Algumas decisões são premeditadas sendo tomadas com convicção. Outras são tomadas repentinamente mas não por isso deixam de ser importantes pois podem até mesmo salvar uma vida.

Tudo o que acontece em nossas vidas é resultado das decisões que nós mesmos tomamos ou resultado de decisões que outros tomaram por nós. É em uma cadeia de erros e acertos que vamos desenvolvendo nossas vidas e chegamos onde estamos hoje. Em nossa leitura da Torá o povo hebreu se encontra ao fim de sua jornada para entrar na Terra Santa de Israel. E aqui nos encontramos na parashá Reê.

“Vede que ponho diante de vós, hoje, a bênção e a maldição” (Devarim 11:26)

A Torá nos recorda que nosso sucesso e nosso fracasso está sempre diante de nós e que nossas escolhas nos conduzirão para eles. Toda ação está seguida de uma reação, bem como toda escolha está seguida de suas consequências. Claro que não estou me referindo aqui somente às escolhas no campo religioso, mas em tudo na vida.

Há muitos casos nos quais estamos submetidos a obrigações que nós mesmos não optamos por elas. A sociedade nos impõe obrigações que de certa forma nos impede a livre escolha. Outros decidiram por nós até mesmo antes de nascermos e hoje estamos obrigados a seguir as regras sociais, caso contrário, podemos ser punidos pela infração ou omissão. Neste mundo, embora tenhamos o potencial de escolher o que queremos para nossas vidas, somos todos limitados e a liberdade plena é utópica. Nas palavras de Simone de Beauvoir: “o homem é livre; mas encontra a lei na sua própria liberdade”.

No que se refere à religião judaica, a liberdade de escolha está submetida à decisão da maioria em viver ou não baixo as leis da Torá. Explico:

Desde quando Am Israel optou pela Torá ao recebe-la no Monte Sinai se comprometeu a seguir suas leis e punir os que as transgrida. Ou seja, a Torá assume tanto o papel de padrão religioso bem como o de padrão social, legislando nestes dois hemisférios. Este status e regimento social permanece todo o tempo que em o povo hebreu permanece na Terra de Israel com o Sanhedrin estabelecido em seu devido lugar (no Templo em Jerusalém), ou quando uma comunidade fora de Israel decide viver segundo as Leis da Torá; porém, neste caso as punições são limitadas.

Porém, quando a maioria decide por não viver baixo a lei da Torá, e nem temos o Templo e nem o Sanhedrin, a liberdade de escolha passa a ser praticamente plena. Uma vez não existindo punições capitais para as violações do código religioso se diminui a pressão e o temor pela lei.

Nesta ótica o judeu estaria livre para escolher se quer seguir ou não a Torá. Embora que as promessas da Torá sejam evidentes e as vemos no decorrer da história com todas as perseguições e com todos os livramentos que o povo judeu experimentou, muita gente não enxerga essa realidade entendendo que tudo foi obra do acaso e resultado das ações humanas somente, desconsiderando qualquer interferência divina. O sentimento de liberdade se fortalece quando não se tem uma imposição social ou legal. Isso faz com que a escolha pela Torá seja feita de coração e pela fé.

O Admor de Gur, Harav Yehudá Ariye Leib Alter ztzk”l, explica em sua obra Sfat Emet que em verdade Hashem não nos dá a opção de escolher entre as maldições e as bênçãos, mas nos dá apenas para escolher as bênçãos. As maldições para os que não guardam a Torá e seus mandamentos, quando encaradas com a fé plena da providência divina, se trata de um chessed que Hashem faz ao homem. As punições existem para nos fazer reconhecer nossos erros e retornarmos a Hashem. Seria a forma como Hashem, ao nos ver trilhar no caminho errado, nos empurra para o caminho correto. Seriam castigos de amor.

Em paralelo o Admor nos explica uma outra forma de manifestar o chessed Hashem com o homem. Se por algum momento decidimos ou fomos forçados a nos desviar do caminho da Torá, devemos ter em conta que diferente do hemisfério secular que nem sempre se pode corrigir os erros, no hemisfério espiritual sempre há a oportunidade de corrigir e mudar. Como dizemos todos os dias em nossas rezas: “renova todos os dias a obra da criação”, a cada dia temos a oportunidade de nos renovar. Está escrito na Torá: “Vede que ponho diante de vós, hoje…”, ou seja, todos os dias temos a oportunidade de escolher entre o bem e o mal, em sermos puros ou impuros, santos ou profanos. Como está escrito “o perverso não cairá por sua maldade no dia em que se arrepender dela” (Yehezkel 33:12).

Hashem nos dá a oportunidade diária de sermos pessoas melhores e de formarmos uma sociedade melhor. Todas as nossas decisões e ações refletem em ambos os mundos, o espiritual e o material. Cabe a nós escolher pelas breachot para que abençoemos nossas vidas e as vidas dos que nos cercam.

Shabat Shalom!

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