cohanim

Nossa parashá Tsav começa instruindo sobre os korbanot de Olá e Minhá. Em seguida o Eterno ordena a Aharon e a seus filhos um sacrifício especial conhecido como Minhat Cohanim. Embora também era oferecido farinha, neste korban não se faziam matzot e nem o comiam. Pelo contrário, a farinha era misturada com azeite mas não era comida, era queimada completamente como incenso. Este sacrifício era realizado na ordenação de um cohen, quando este se apresentava pela primeira vez no templo para aí servir, e diariamente, pela manhã e pela tarde, oferecida pelo Cohen Gadol (Misne Torá, Prática dos Korbanot 12:9).

O serviço no Mishkan, e posteriormente no Templo, era todo dedicado aos sacrifícios. Não faltava aos cohanim serviço. Pra quê adicionar outro mais? Pode-se dizer que os sacrifícios eram para todos a serviço de todos mas que não havia um sacrifício especial a ser oferecido pelo cohen, então traz a Torá: ZÊ korban Aharon uvanav.

No hebraico bíblico quando se quer especificar algo usa-se o pronome demonstrativo ZÊ (este). Assim vemos para especificar o mês de Aviv e a mitzvá de Kidush Halevaná (Shemot 12), também para especificar a forma como se construiu a Menorá (Bamidbar 8:4), a contagem do povo por meio shekel (Shemot 30:13) e tantas outas passagens.

Traz o midrash uma história onde se pergunta qual a ocupação de Hashem depois que criou o mundo. Resposta: promove encontro de casais. Isso qualquer um pode fazer, né? Junta-se um aqui com outro ali, se casam e já está; não parece uma ocupação difícil. Assim pensava uma senhora influente e rica. Ao saber que essa era a ocupação de Hashem ela promoveu o emparelhamento de casais entre seus escravos e os trouxe a Rabi Levi. Chegaram os casais todos arrebentados, um com a cabeça ferida, outro com o olho fora do lugar, outro com a perna quebrada e diziam: “eu não a quero; eu não o quero”.

O que parece fácil aos seus olhos é tão difícil para o Santo, bendito seja, como a abertura do mar de juncos como está escrito: “assenta o solitário em casa e liberta o preso com seus grilhões” (Tehilim 68:7). O que significa “com seus grilhões”? Cântico e Choro. Aquele que recebe o julgo divino com amor recita cânticos; aquele que não quer receber com amor chora e recebe seu cônjuge obrigado. Conclui Rabi Iosi: [Hashem] senta e faz escadas: eleva este e rebaixa este, como está escrito: “pois D’us é juiz: este derruba e este levanta” (Tehilim 75).

As vezes nos é difícil aceitar os desígnios e as ordenanças divinas, mas não por rebeldia. Alguns momentos é por falta de compreensão ou pela necessidade de uma forma diferente que nos identifica ou que nos conecte melhor. Isso passou com o pecado do bezerro de ouro. Explica Rabi Yehudá Halevi que as intenções do povo na confecção do bezerro de ouro não eram de prestar culto a uma outra divindade, mas foram induzidos pela necessidade de um contato material. Necessitavam de algo que pudessem ver e tocar para prestar serviço a Hashem (Hacuzari 1:97).

Neste evento do pecado do bezerro de outro a resposta de Aharon a Moshe do porquê haver feito o bezerro foi: [dizia o povo] “pois este Moshe, o homem que nos tirou do Egito, não sabemos o que passou com ele. E disse a eles: quem tem ouro que o desfaça. E me deram, e o derreti no fogo e saiu este bezerro”(Shemot 30:14-16).

Explicam os sábios que há uma conexão entre o pecado do bezerro de ouro e o sacrifício de Minhat Cohanim. “Aharon por estas palavras foi derrubado: ‘e o derreti no fogo e saiu este bezerro’; e por estas palavras foi elevado: ‘este é o korban de Aharon e seus filhos’” (Shemot Rabá 8).

O Cohen está frente ao povo diante de Hashem. O Cohen Gadol é uma ferramenta de conexão do povo com o Santo, bendito seja. Ele é o intermediador. Se o cohen cai, todo o povo cai; mas se ele se eleva, todo o povo se eleva junto com ele.

Traz a Mishná em Berachot: “desde quando se recita Shemá Israel ao anoitecer? Desde a hora que os cohanim entram para comer de suas trumot”. Mas o que tem a ver a recitação do Shemá com a hora em que os cohanim entram para comer suas porções das trumot?

Rav Kuk z”l explica que “Shemá Israel” está dividido em duas partes: 1 – recebimento pessoal do julgo divino, e 2 – anúncio da unidade divina a todos os povos.

Quando se recita Shemá a noite representa a vida de Israel na galut (exílio). Nos falta luz. Nestas trevas interior que nos mantém na galut temos que receber sobre nós mesmo os desígnios e as ordenanças divinas. Pela manhã, quando raia a luz do sol, somos iluminados pela luz da gueulá (redenção) o que simboliza nossa plenitude, e agora sim podemos expandir a luz para todos os povos anunciando a unidade de Hashem.

Da mesma forma o Cohen, ele tem o seu momento de se reservar e fazer por si só o seu serviço. Quando os cohanim entram para comer das trumot, estão em seu mundo e nenhum estranho pode estar presente. Korban Minhat Cohanim é só dele, seu momento íntimo com o Criador. Sua expiação diária particular e elevação como Olá. Elevar-se solitariamente para poder sair a ajudar os demais em suas elevações ao Santo, bendito seja.

Portanto, a Torá nos ensina que a santidade, o serviço e a elevação que se exige dos demais deve começar dentro de nós mesmos, em nossas intimidades. Como a luz da Menorá que no Templo iluminava de dentro para fora. Não há resultado positivo ao exigir dos demais quando não exigimos de nós mesmos. Porém, o exemplo não deve ser como um outdoor, pelo contrário, começa em nossas intimidades. Começa na santificação pessoal e só então começa a se expandir para o outro.

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